Papa Leão XIV: “Não são as armas atômicas, mas o desarmamento que gera a paz”

Em novo livro, Pontífice defende a não violência, critica a corrida armamentista e afirma que a paz começa nas atitudes de cada pessoa.
O Papa Leão XIV reafirma que a paz não será alcançada pelo acúmulo de armas, mas pelo compromisso concreto com o desarmamento, a verdade e a promoção da dignidade humana. A reflexão integra o livro “Desarmada e Desarmante. A paz é um dom”, publicado pela Livraria Editora Vaticana e organizado pelo jornalista Alessandro Banfi.
A obra reúne os principais pronunciamentos do Pontífice sobre a paz desde sua eleição, em 8 de maio de 2025, e traz uma introdução inédita escrita pelo próprio Papa.
Logo nas primeiras páginas, Leão XIV recorda que a paz é o primeiro dom oferecido por Cristo Ressuscitado aos seus discípulos, mas destaca que esse dom nasce do amor capaz de enfrentar o sofrimento e vencer a violência.
Segundo o Pontífice, o mundo vive um período marcado por guerras, conflitos armados e profundas divisões, realidade que ameaça continuamente a paz entre os povos.
A paz começa em cada pessoa
Na introdução do livro, Leão XIV afirma que a construção da paz não depende apenas das grandes decisões internacionais, mas começa nas atitudes cotidianas de cada pessoa.
Inspirando-se em Santo Agostinho, o Papa recorda que transformar o mundo passa, antes de tudo, pela conversão do próprio coração.
“A paz começa por mim. Começa por nós.”
Para o Santo Padre, gestos simples como o perdão, a cordialidade, o diálogo e a reconciliação possuem força transformadora e ajudam a construir uma cultura da paz.
Desarmamento como caminho para a humanidade
Um dos pontos centrais da reflexão é o alerta sobre o perigo da corrida armamentista, especialmente diante das armas nucleares.
Leão XIV afirma que, após as tragédias de Hiroshima e Nagasaki, a humanidade deveria ter compreendido definitivamente que a guerra jamais pode ser considerada um instrumento legítimo para alcançar a paz.
“Não são as armas atômicas que geram a paz, mas sim o desarmamento.”
O Pontífice lamenta que o mundo assista novamente ao crescimento dos investimentos militares e alerta que essa lógica alimenta o medo e aumenta o risco de novos conflitos globais.
A consciência humana acima das máquinas
Outro aspecto abordado é o avanço das tecnologias militares e da inteligência artificial aplicada aos conflitos armados.
Como exemplo, Leão XIV recorda a decisão do oficial soviético Stanislav Petrov, que, em 1983, deixou de comunicar um falso alerta de ataque nuclear, evitando uma possível guerra atômica.
Segundo o Papa, esse episódio demonstra que a consciência humana jamais pode ser substituída por decisões automatizadas.
“A consciência de um único homem pode valer o mundo inteiro.”
Paz exige esperança
Na conclusão da obra, Leão XIV convida cristãos e todas as pessoas de boa vontade a nunca desistirem da esperança, mesmo diante das guerras e das crises que atingem a humanidade.
O Papa recorda que a missão da Igreja permanece a mesma: anunciar o Evangelho da caridade, da reconciliação e da paz.
Ao citar o Papa Pio XI, Leão XIV deixa um apelo à responsabilidade de cada cristão diante dos desafios do tempo presente:
“Agradecemos a Deus por nos fazer viver em tempos difíceis. Agora, não é permitido a ninguém ser medíocre.”
O Pontífice encerra sua reflexão pedindo que Deus conduza a humanidade pelos caminhos da não violência e que cada pessoa faça da paz a grande causa de sua vida.




