O legado de Tristão Mariano da Costa

O nome de Tristão Mariano ficou esquecido por décadas, coberto pela atuação de seus filhos músicos, sobretudo Tristão Júnior, Luiz Gonzaga e Maria Augusta que, desde crianças tocaram com o pai.
Tristão Júnior (1880 – 1935) foi seresteiro. Teve uma orquestra para eventos sociais, bailes e concertos, que também atuava, e muito, na liturgia católica. Foi o continuador do pai, na música sacra, imediatamente após a sua morte, tendo que enfrentar a Semana Santa de 1908, sem qualquer preparação. É verdade que era o primeiro violino da orquestra e conhecia bem o repertório. A memória de Tristão Junior foi muito mais valorizada por seus ex-alunos, mais próxima no tempo daqueles que se preocuparam em guardar e divulgar os músicos ituanos. Foi criada uma semana comemorativa, em sua homenagem, em 1986, por influência dos antigos alunos do Regente.
Tristão Júnior foi professor de música no Colégio São Luís e também no IBAO, onde deixou alunas bastante atuantes na música ituana nas décadas seguintes.
Maria Augusta da Costa Bauer (1873 – 1933), a primeira filha de Tristão Mariano e Maria Augusta da Costa, foi organista na Igreja do Carmo e professora de piano de muitas meninas na passagem do século XIX para o XX em Itu. Na intimidade chamada por Nhanhã Bauer, foi concertista, desde criança, tocando com o irmão Nhonhô Tristão e, depois, com o marido, Felipe Bauer, flautista. Eles foram os pais do Prof. Tristão Bauer (1904 – 1985), uma das mais belas vozes da música sacra ituana no século XX, formado em meio aos jesuítas, no Colégio Anchieta, em Nova Friburgo, bom intérprete do Canto Gregoriano e da música do movimento Ceciliano.
Luiz Gonzaga da Costa (1884 – 1964) foi aplaudido flautista. Continuador do instrumento executado pelo pai, teve estudos com Tristão Mariano e em Piracicaba, onde formou-se professor. Viveu em diversas cidades paulistas, dedicando-se à educação, mas radicou-se em Campinas, flautista na Orquestra Sinfônica Campineira. De seu casamento com a Sra. Maria Luísa de Souza Costa, o primeiro filho foi Luiz Gonzaga da Costa Júnior (1908 – 1988), Prof. Luizito, que lecionou música no Regente Feijó por 30 anos e manteve uma orquestra de concertos e foi atuante na música sacra também. Fundou, na década de 1950 o Conservatório Maestro Tristão Mariano, homenagem ao avô músico. Compositor de hinos e música popular, o Prof. Luizito foi uma liderança artística extremamente significativa em Itu, no tempo em que as bandas marciais imperavam, ele quase sozinho mantendo viva a tradição da música orquestral.
O repertório composto por Tristão Mariano da Costa perdeu-se ao longo do tempo. Tristão Júnior continuou a executá-lo, porém, em 1924, ao assumir o paroquiato o Padre José Maria Drost Monteiro (1893 – 1952) impôs o Motu Proprio do papa Pio X, proibindo a música de influência profana na Igreja. Desta forma as longas missas com trechos de inspiração operística, outros motetes sacros acabaram caindo no esquecimento. Só a Jaculatória a São Benedito sobreviveu até nós.
Luís Roberto de Francisco
Biblioteca Histórica
do Bom Jesus




