6º Domingo da Páscoa
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Diác. Francisco Martins de Oliveira Filho
Paróquia São Cristóvão

“Não vos deixarei órfãos. Eu virei a vós.”

Evangelho (Jo 14,15-21)

A partir deste 6º Domingo da Páscoa, entramos na fase conclusiva do Tempo Pascal, iniciando a preparação mais imediata para a Solenidade de Pentecostes. Por isso, o Evangelho assume esse tom de despedida de Jesus. Contudo, ao anunciar sua ida para junto do Pai, o Senhor não está dizendo que abandonará os seus discípulos. Pelo contrário, Ele lhes faz uma promessa consoladora: “Não vos deixarei órfãos”.
Jesus garante aos seus discípulos uma presença ainda mais forte e operante através do Espírito Santo, o Espírito da Verdade, que permanece nos corações dos fiéis e faz deles a morada de Deus no mundo. No domingo passado, o Mestre assegurava que, na casa do Pai, há muitas moradas. Agora, porém, revela algo ainda mais profundo: para que os discípulos possam habitar eternamente na casa do Pai, é preciso que, já aqui na terra, eles próprios se tornem morada do Filho. Por isso afirma: “Naquele dia sabereis que eu estou no meu Pai, e vós em mim e eu em vós”.
Entretanto, somente o amor assegura essa permanência de Jesus nos seus discípulos. E amar a Cristo é muito mais do que cultivar sentimentos ou palavras bonitas; amar é obedecer aos seus mandamentos: “Se me amais, guardareis os meus mandamentos”. O amor verdadeiro exige atitudes concretas, capazes de tornar visíveis as raízes invisíveis da fé. Não existe discipulado sem fidelidade, nem comunhão sem compromisso com a Palavra de Deus.
Jesus conhece a fragilidade humana. Sabe que os discípulos de todos os tempos não seriam capazes, sozinhos, de perseverar na fidelidade ao Evangelho. Por isso intercede junto ao Pai: “E eu rogarei ao Pai, e Ele vos dará outro Defensor, para que permaneça convosco para sempre”. Essa promessa anuncia a vinda do Espírito Santo, chamado por Jesus de “outro Defensor”, o Paráclito, isto é, “aquele que é chamado para estar ao lado”, aquele que vem para sustentar, consolar e defender.
A presença do Espírito Santo no seio da comunidade cristã e no coração de cada fiel é a garantia de que a Igreja não será destruída. O Espírito conserva viva a verdade revelada por Cristo, ilumina a mente dos discípulos e lhes dá a coragem necessária para testemunhar o Evangelho em meio às dificuldades do mundo. O Espírito da Verdade abre os olhos da fé para enxergar aquilo que o mundo muitas vezes não consegue compreender ou aceitar.
Além disso, o Espírito evidencia a verdadeira justiça, que consiste em cumprir plenamente a vontade de Deus. Jesus é o verdadeiro Filho porque viveu em total obediência ao Pai. Sua volta gloriosa ao Pai confirma que sua missão foi plenamente realizada.
Assim, a perseverança na fé, vivida no amor, torna-se a prova mais convincente de que não somos órfãos. Temos um Pai que nos ama infinitamente. Não caminhamos sozinhos. O amor de Deus não abandona, não se afasta, não esquece. O amor estabelece morada permanente em nossos corações. Esta é a verdade revelada pelo Filho e conservada em nós pelo Espírito Santo, que continuamente nos sustenta, ilumina e defende.
Deus abençoe a todos!