10 de Abril – Ano de 1926

Muito bem
Á entrada da igreja Matriz desta cidade acha-se um aviso vindo da Curia Metropolitana do Arcebispado de S. Paulo, dizendo não ser permitido às mulheres entrarem na igreja com vestidos decotados, com saias e mangas muito curtas.
É essa uma louvavel ordem emanada da suprema auctoridade religiosa nesta Archidiocese, pois se o traje incedente é justamente reprovado nas casas particulares e nas ruas, muito mais o é nas igreja, onde deve reinar a mais absoluta modéstia no modo de vestir-se.
O descaramento dos vestidos decotados, sem mangas e curtos pelo meio das pernas chegou a tal ponto, que até os jornaes neutros são unanimes em profrigal-o em termos asperos, fazendo ver os graves inconvenientes desse modo de trajar-se. Sem descer a pormenores, basta que a gente se lembre de que só as mulheres de má vida é que costumavam andar com esses trajes indecentes para se darem a conhecer como taes, servindo-lhes o seu modo indecente de vestir-se como de reclame ou annuncio do seu modo de ganhar a vida. Por isso não nos cançaremos de louvar essa providencia da Curia Metropolitana, pois a igreja é lugar de oração, de respeito, de silencio e devoção, onde devemos ter o nosso pensamento levantado para Deus, para o ceo, o que não é possível diante dessas vistas mundanas, indecentes, deshonestas. Quem não quizer estar na igreja descentemente vestida, como ordena a autoridade archidiocesana, é melhor que ali não entre.
Em viagem
Partiu para Botucatú segunda feira p. p. afim de continuar os estudos preparatórios para o sacerdócio o nosso querido amigo e collaborador Octavio Bicudo.
Acha-se ausente desta parochia o nosso mui do. Vigario P. J. M. Monteiro, fazendo as vezes de vigario o Rv. Frei Matheus Kerellac da Ordem de N. S. do Carmo.
Pesquisa – Biblioteca Histórica
“Padre Luiz D’Elboux” (Igreja do Bom Jesus), respeitada a ortografia original.


