Ressuscitados com Cristo: um  chamado  ao perdão e à misericórdia
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por Diác. Tadeu Italiani

O Tempo Pascal é, por excelência, o tempo da alegria, da vida nova e da vitória de Cristo sobre o pecado e a morte. No entanto, essa vitória não se limita a um acontecimento do passado: Torna-se realidade na vida de cada fiel que se abre ao amor e ao perdão que brotam do coração do Ressuscitado. Viver a Páscoa é, portanto, permitir que a Ressurreição transforme nossas relações, cure nossas feridas e nos conduza a uma existência reconciliada.
Quando Jesus ressuscitado aparece aos discípulos, sua primeira palavra é: “A paz esteja convosco”. Não se trata apenas de uma saudação, mas de um dom. A paz que Cristo oferece nasce do perdão: Ele não acusa, não condena, mas reconcilia. Mesmo diante da fragilidade dos discípulos — que o abandonaram — o Senhor lhes concede novamente a confiança e os envia em missão. Assim, a experiência pascal revela que o amor de Deus é sempre maior que o pecado humano.
Nesse sentido, somos convidados a viver o Tempo Pascal como um caminho de reconciliação. Muitas vezes carregamos no coração mágoas, ressentimentos e culpas que nos impedem de experimentar a verdadeira alegria. A Ressurreição nos chama a dar um passo decisivo: perdoar e pedir perdão. Não se trata de esquecer o que aconteceu, mas de permitir que o amor de Deus cure aquilo que parecia irreparável.
Santo Afonso Maria de Ligório, mestre da espiritualidade e do amor misericordioso, recorda que “Deus ama quem confia em sua misericórdia”. Para ele, a confiança no perdão divino é o fundamento da vida cristã. Não devemos temer nos aproximar de Deus com nossas fraquezas, pois é justamente aí que a graça se manifesta com mais força. A Páscoa nos ensina que não há pecado que seja maior que a misericórdia de Deus.
Também o Papa Leão XIV tem insistido na necessidade de redescobrir a centralidade do amor e do perdão na vida cristã. Em suas palavras, a Igreja é chamada a ser “um espaço de reconciliação, onde cada pessoa possa reencontrar a esperança”. Essa visão pastoral nos ajuda a compreender que viver o Tempo Pascal não é apenas participar de celebrações, mas assumir um estilo de vida marcado pela misericórdia.
Na prática, isso se traduz em gestos concretos. Perdoar alguém que nos feriu, buscar a reconciliação em nossa família, recomeçar uma relação marcada por conflitos, ou mesmo olhar para si com mais compaixão são formas de viver a Páscoa no cotidiano. Além disso, a participação nos sacramentos, especialmente a Confissão e a Eucaristia, fortalece essa caminhada e nos configura cada vez mais ao Cristo Ressuscitado.
Outro aspecto essencial é reconhecer que o perdão não é sinal de fraqueza, mas de verdadeira força espiritual. Perdoar exige coragem, humildade e fé. É um ato profundamente pascal, porque nos faz passar da morte para a vida, do fechamento para a abertura, da dor para a esperança. Quem perdoa experimenta uma liberdade interior que nenhuma outra realidade pode oferecer.
Assim, o Tempo Pascal se apresenta como uma oportunidade privilegiada para renovar nossa vida à luz da Ressurreição. Somos chamados a deixar para trás tudo aquilo que nos prende e a abraçar a vida nova que Cristo nos oferece. Que cada fiel possa acolher esse convite e permitir que o amor e o perdão sejam as marcas de sua caminhada.
Que, iluminados pela graça do Ressuscitado, possamos viver este tempo com um coração renovado, tornando-nos testemunhas da misericórdia de Deus no mundo. Pois, onde há amor e perdão, ali a Páscoa continua acontecendo.

Deus abençoe
a todos!