O Seminário do Carmo faz cem anos

É verdade que o seminário instalado pelos frades carmelita holandeses em Itu já está desativado há décadas, mas o seu funcionamento por cerca de meio século foi um marco na história da educação, oportunizando formação a muitos jovens, ituanos ou não.
Em abril de 1926 iniciou a atividade a Escola Apostólica da Província Carmelitana Fluminense, que abrangia diversas regiões do Brasil, tendo como ponto de apoio a cidade do Rio de Janeiro. Essa circunscrição administrativa foi formada dez anos antes quando fortaleceu-se a Missão Holandesa dos Carmelitas. A ordem religiosa esteve instalada no Brasil desde o século XVII, e em Itu desde o século XVIII, mas perdeu força, como as demais, dado o Padroado, como foi chamado o acordo entre a Santa Sé e o Império do Brasil, que decidiu proibir os noviciados à formação de novos membros.
Dado o golpe da república e expulsa a família imperial, por intervenção do bispo do Pará, Dom Macedo Costa, as casas de formação foram novamente estabelecidas no país. Assim, vieram da Europa os formadores. Os jesuítas se estabeleceram em 1894 em Campanha (MG), inclusive com noviços ituanos; depois formaram escola apostólica junto ao Colégio São Luís de Itu, em 1909.
Os carmelitas holandeses retomaram o Carmo de Itu em 1918, abrindo espaço para que um ginásio, mantido por leigos, fosse instalado no velho convento. Passados alguns anos, depois de reformarem a antiga igreja e outras partes de suas instalações, construíram o edifício para a Escola Apostólica, formação que correspondia ao Ensino Fundamental Anos Finais (ginásio, para os antigos), preparando jovens vocacionados à vida religiosa. Há cem anos, o internato iniciou as atividades com três professores holandeses e dois leigos, José Leite Pinheiro e Tristão Bauer, um ex-aluno do Colégio São Luís e outro que fora jesuíta. Eram 40 os primeiros alunos.
Após estes estudos, os jovens estavam aptos ao noviciado, o ano de espiritualidade na ordem religiosa. Em seguida o curso de Filosofia, que era feito no Brasil, e a Teologia que, no início, só havia no exterior. O primeiro fruto dessa Escola Apostólica foi o jovem ituano Paulino Bueno Couto, que recebeu o nome de Frei Gabriel (1928) e foi para Roma em 1931, onde foi ordenado padre (1933) e bispo (1946).
A Escola Apostólica do Carmo de Itu foi um celeiro de vocações para a ordem e transformou aquele canto da cidade em lugar de notáveis estudos humanísticos e científicos, formação em letras, aplicada ao latim e ao grego, à oratória, às artes em geral, com especial atenção à música sacra.
Há, ainda hoje, um grupo de senhores que se reúnem periodicamente, ex-alunos do Carmo de Itu. Alguns são carmelitas, outros leigos, muitos envolvidos com a Igreja.
O edifício neocolonial é elegante, adequou-se ao conjunto carmelitano de Itu e permanece em uso com função educativa.
Urge recolher a memória dessa escola, por parte de seus ex-alunos, testemunhas de um tempo de glória da Igreja em Itu.




