Silenciar televisores e smartphones para escutar Deus nesta Quaresma

Angelus realizado no domingo 22 de fevereiro no 1º Domingo da Quaresma
No primeiro domingo da Quaresma, o Evangelho nos fala de Jesus que, conduzido pelo Espírito, vai ao deserto e é tentado pelo diabo (cf. Mt 4,1-11). Depois de jejuar durante quarenta dias, Ele sente o peso de sua humanidade: a fome, no plano físico, e as tentações do diabo, no plano espiritual. Experimenta o mesmo cansaço que todos nós vivemos em nosso caminho e, ao resistir ao demônio, mostra-nos como vencer seus enganos e armadilhas.
Com essa Palavra de vida, a liturgia nos convida a olhar para a Quaresma como um caminho luminoso no qual, por meio da oração, do jejum e da esmola, podemos renovar nossa cooperação com o Senhor na realização da obra-prima que é a nossa vida. Trata-se de permitir que Ele removas manchas e cure as feridas causadas pelo pecado, ajudando-nos a florescer na plenitude do amor, fonte da verdadeira felicidade.
É um caminho exigente, e o risco é desanimar ou deixar-se seduzir por riquezas, fama e poder (cf. Mt 4,3-8). Essas tentações, também enfrentadas por Jesus, são substitutos frágeis da alegria para a qual fomos criados e, no fim, deixam-nos vazios.
Como ensinava São Paulo VI, a penitência não empobrece, mas enriquece nossa humanidade, conduzindo-nos ao amor e ao abandono no Senhor (Const. ap. Paenitemini, 17 de fevereiro de 1966).
Neste tempo de graça, pratiquemos a penitência com generosidade, unindo-a à oração e às obras de misericórdia. Reservemos espaço para o silêncio, diminuindo o uso de televisões, rádios e celulares. Meditemos a Palavra de Deus, aproximemo-nos dos sacramentos e escutemos o Espírito Santo. Dediquemos tempo aos que vivem sozinhos, especialmente idosos, pobres e doentes. Renunciemos ao supérfluo e partilhemos com os mais necessitados.
Queridos irmãos e irmãs, já se passaram quatro anos desde o início da guerra na Ucrânia. Quantas vítimas, famílias destruídas e sofrimentos indescritíveis! Toda guerra é uma ferida aberta na humanidade. A paz é urgente. Que as armas se calem, que cessem os bombardeios e que o diálogo abra caminhos de reconciliação.
Unamo-nos em oração pelo povo ucraniano e por todos os que sofrem com as guerras no mundo, para que o dom da paz resplandeça em nossos dias.
Confiemos nosso caminho quaresmal à Virgem Maria, Mãe que sempre assiste seus filhos nas provações




