Juventude, modernidade e o desafio da  evangelização
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O mundo moderno trouxe ao homem inúmeros avanços em todas as áreas do conhecimento. A tecnologia tornou-se forte aliada da humanidade nesse caminho de progresso. Contudo, o desenvolvimento de novas tecnologias e metodologias também tem gerado enfermidades muitas vezes invisíveis aos olhos físicos, mas profundamente presentes na dimensão intelectual e emocional, sobretudo quando voltamos nosso olhar para a juventude.
Vivemos em um tempo em que modernidade e pós-modernidade caminham lado a lado, impulsionadas pela velocidade da informação, que transforma o presente no obsoleto de amanhã. Valores como democracia, diplomacia, felicidade, transparência, honestidade, respeito e justiça encontram dificuldade para se enraizar na vida de muitos jovens, diante da intensa subjetividade e da influência constante do mundo midiático. O jovem de hoje experimenta um turbilhão de acontecimentos e emoções “ao mesmo tempo”, sem respeitar o ritmo natural da vida, o que frequentemente gera profundas crises existenciais por não alcançar os ideais propostos pela sociedade contemporânea.
Ignorar essas características do cotidiano é virar as costas ao próprio processo de evangelização, que deve dialogar com o mundo atual e acolher o jovem em meio a essa explosão de sentimentos e afetos. Antes de pensar em evangelizar a juventude, é necessário compreendê-la dentro do contexto contemporâneo. Isso exige um olhar atento e um estudo consistente sobre como vivem os jovens na cultura atual — uma cultura na qual, apesar de estarem permanentemente conectados no ambiente digital, muitos atravessam verdadeiros desertos existenciais, manifestando, ainda que silenciosamente, a busca pelo sentido da própria vida.
Não é possível pensar um plano de evangelização juvenil sem um diálogo permanente com a sociedade moderna. Tampouco se pode imaginar a presença dos jovens na Igreja apenas nos moldes das tradicionais comunidades das décadas de 1970, 1980 e 1990. O ideal de construir um mundo melhor, tão presente em outras gerações, tem sido gradualmente substituído pela busca de realizações e necessidades individuais. A dimensão coletiva perde espaço, abrindo caminho para ambientes marcados pela satisfação pessoal e, consequentemente, pelo fortalecimento da cultura do descarte.
Estudos indicam que muitos jovens buscam a Deus, mas sem o desejo de uma vivência comunitária e institucional da fé, evitando compromissos mais duradouros. Procuram experiências que atendam às suas necessidades pessoais, mas que não exijam vínculos estáveis.
Entretanto, em meio a tamanha vulnerabilidade, há também uma sincera busca por referências e modelos de vida. É aí que se abre uma porta fecunda para o processo de evangelização, capaz de inserir o jovem no cotidiano da Igreja. Evangelizar a juventude é apresentar, por meio do testemunho — sendo sal da terra, luz do mundo e fermento do Evangelho — o rosto de Jesus Cristo, convidando os jovens a se engajarem no seguimento do Senhor.
Para isso, é indispensável uma verdadeira conversão pastoral daqueles que já atuam na missão evangelizadora. É preciso abrir-se ao novo, compreender o mundo juvenil, dialogar com ele e acolher os jovens sem preconceitos, à luz da fraternidade e da misericórdia cristã. Urge apresentar um Jesus que caminha com os jovens, como caminhou com os discípulos de Emaús: escutando, orientando e reacendendo a esperança.
Caminhando ao lado de Cristo, os jovens se tornarão seus discípulos e, assim, encontrarão o verdadeiro sentido para a vida.