Solenidade da Bem-aventurada Virgem Maria da Conceição Aparecida

Diác. Valdeci Florentino Santos
Par. Nossa Senhora Aparecida
“Fazei o que ele vos disser.”
Evangelho (Jo 2,1-11)
A devoção a Maria é fonte de vida cristã profunda.
Maria faz parte do Evangelho. É apresentada como aquela que ouviu, de maneira exemplar, a Palavra de Deus; como serva do Senhor que diz “sim” à sua vontade; como a cheia de graça, que de si mesma nada é, mas é tudo por bondade de Deus. Assim, ela é o modelo original dos homens que se abrem a Deus e se deixam enriquecer por Ele — o modelo original da comunidade que crê.
A piedade cristã genuína sempre mostra algum traço mariano, pois Maria constitui um modelo essencial para a realização da existência cristã. O significado e a importância da devoção mariana residem em sua capacidade de estabelecer uma relação viva com Deus.
A piedade mariana só é existencial e pastoralmente válida se estiver orientada para Cristo. Assim, Maria nos leva a Cristo, como afirma com precisão o Concílio Vaticano II: “A função maternal de Maria, em relação aos homens, de modo algum ofusca ou diminui esta única mediação de Cristo; antes, manifesta a sua eficácia. E de nenhum modo impede o contato imediato dos fiéis com Cristo; antes, o favorece.”
A devoção a Maria é, portanto, fonte de vida cristã profunda, de compromisso com Deus e com os irmãos. Permanecei na escola de Maria, escutai sua voz, segui seus exemplos. Como nos diz o Evangelho, ela nos orienta para Jesus: “Fazei o que Ele vos disser.” (Jo 2,5)
Podemos notar que esta simples frase, pronunciada por uma pessoa que fala sem querer impor nada, é verdadeiramente revolucionária. Se respondermos positivamente a ela, haverá uma reviravolta em nossa vida. E é a mesma figura que a pronunciou — aparentemente tão frágil e meiga —que nos dará força para fazê-lo e para recomeçar a cada momento.
Na realidade, diante desta frase, podemos perceber o pouco espaço Jesus ocupa em nossa vida e o quanto, mesmo sendo cristãos, muitas vezes prescindimos d’Ele. Frequentemente, nos pequenos e grandes problemas, ou na orientação de nossa vida, somos tentados a nos deixar guiar pelo nosso bom senso, por considerações utilitaristas ou pelas muitas vozes que se levantam aqui e ali no mundo: vozes de líderes, filósofos, políticos, revolucionários… de toda gente que está na moda!
Até que um dia resolvemos ouvir Jesus. Então deixamos de lado tudo o mais e abrimos o Evangelho.
Ali nos encontramos novamente com suas antigas e eternas palavras, cheias de vida, que sempre nos parecem novas. E nelas encontramos explicado, resumido e resolvido tudo o que o mundo tenta dizer. Como que por encanto, nossa vida se transforma, dia após dia — assim como, uma vez, alguns servos em Caná atenderam a Maria e viram, com grande admiração, que a água se transformava em vinho.
Celebrar a Padroeira do Brasil significa afirmar que a nação tem Mãe, uma intercessora. De nossa parte, cabe-nos cultivar a mesma sensibilidade de Maria em favor dos necessitados.
Portanto, rezemos com Maria e por Maria, pois ela é sempre a “Mãe de Deus e nossa”.
Viva a Virgem
Imaculada, a Senhora Aparecida!



