O primeiro Congresso Católico brasileiro
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Como vimos, o padre Taddei esteve em Roma participando do Concílio Plenário da América Latina em junho de 1899, tendo por objetivo promover a integração das diversas dioceses da região e ampliar a ação conjunta do Catolicismo no continente. Quem melhor para colaborar na união das dioceses que o Apostolado da Oração? Já estava presente em toda parte e dispunha de uma revista com circulação nacional.

Desta forma, Taddei liderou a organização, na Bahia, do primeiro Congresso Católico brasileiro. Visava também unificar as ações pastorais segundo as orientações da Igreja de Roma. Lembremos que o Brasil, até poucos anos antes, tivera regime de união entre Igreja e Estado e as normas eclesiásticas vinham conjuntamente do papa e do imperador. O Congresso, em 1900, coincidia com a celebração do quarto centenário do descobrimento do Brasil.
Taddei, talvez o maior comunicador católico do Brasil àquele tempo, foi o grande articulador do evento.

Deixemos que seu biógrafo, padre Aristides Greve, narre o clima de entusiasmo da abertura do primeiro grande encontro do Catolicismo brasileiro: “O Congresso da Baía foi inaugurado no domingo 3 de junho, festa do Espírito Santo. A catedral estava transformada em uma grande assembleia. No fundo se viam a imagem do S. Coração de Jesus, o retrato de Leão XIII e a seguinte inscrição: “Aos católicos brasileiros, reunidos no Primeiro Congresso Católico, sob os auspícios do Santo Padre Leão XIII e do Episcopado no IV centenário do descobrimento do Brasil, a Baía aplaude exultante, invocando sobre eles as bênçãos do Sagrado Coração de Jesus.”

No ato inaugural Taddei foi o primeiro a discursar, logo após a abertura oficial, feita pelo Arcebispo Primaz, D. Jerônimo Tomé da Silva (1849 – 1924). Diante dos bispos presentes e influentes intelectuais leigos, Taddei expôs o papel que o Apostolado exercia para o bem das almas, expressão de maturidade religiosa do povo brasileiro. Advogou pela expansão da imprensa católica em nosso país.

Ao final, alguns participantes rumaram a Paray-le-Monial, em peregrinação, inclusive a primeira zeladora do Brasil, Carolina Amália Galvão, de Itu. Taddei não pôde ir à França, mas empenhou-se, sim, na organização do primeiro Congresso Católico Diocesano de São Paulo (1901) e o de Pernambuco (1902). Como se vê, sua atividade como missionário, nas paróquias, era tão competente como dentre as maiores lideranças da Igreja.

Essas participações revelam o papel notável do trabalho realizado pelo padre Taddei e a expressão que exercia o Apostolado da Oração na Igreja do Brasil. Respeitado em toda a parte, o padre santo de Itu só queria ver glorificado o Coração de Jesus, vivo no seio da família brasileira, reinando como um porto seguro para conforto de todos os cristãos. Continuava um homem discreto, de vida pobre, desapegado do mundo.

Aos 65 anos, a sua energia ainda o direcionava para a construção de um santuário central para o Apostolado de todo o país, como vimos no artigo passado.