O Salão Padre Taddei

Na esquina da igreja do Bom Jesus, cem anos atrás, a 11 de fevereiro de 1923, foi inaugurado o Salão Padre Taddei. O espaço era o primeiro a integrar um complexo de quatro construções anexas à igreja destinadas ao trabalho apostólico dos jesuítas em Itu. Recebeu o nome do pioneiro missionário da Companhia de Jesus, fundador do Apostolado da Oração, a quem mais se deve o título de Roma Brasileira à nossa cidade.
O novo salão foi erguido nos últimos meses de 1922, após os jesuítas tomarem posse do antigo Cinema Íris, deixado em testamento pela Sra. Maria Cândida Jordão Malheiros, membro atuante da comunidade, recentemente falecida, com o objetivo claro de servir ao catecismo das crianças.
A construção do salão foi um investimento enorme dos jesuítas e possibilitou diversificar as atividades com os jovens, para reduzir a influência de espaços que surgiam em Itu, naquele tempo, como o Ituano Clube, com salas de jogos e entretenimentos que distanciavam os moços e moças de princípios cristãos. Já havia também dois cinemas que exibiam filmes estadunidenses com temáticas distantes dos valores cristãos. Era o princípio da Ação Católica que só cresceria na década de 1930.
O Salão Padre Taddei passou a ser o palco de atividades paralelas à liturgia católica e foi o primeiro lugar do gênero em Itu; apresentavam-se filmes através de um projetor, de segunda mão, adquirido em São Paulo. No ano seguinte, com a vinda do Irmão Olavo Pereira, fundou-se a primeira Cruzada Eucarística do Brasil, hoje conhecida com Movimento Eucarístico Jovem com milhares de membros por todo o país. Do projeto nasceu intensa atividade artística com grupo de teatro, agenda de concertos e palestras. Dali vieram também vocações religiosas de padres e freiras além de talentos musicais e teatrais para a cidade.
A inauguração do Salão Padre Taddei, há cem anos, contou com panegírico de um dos célebres oradores sacros do Brasil, o padre José Maria Natuzzi SJ (1863 – 1943), antigo Reitor do Colégio São Luís, figura afamada como orador no Rio de Janeiro, liderança junto aos movimentos de jovens e articulador da ação social no Morro de Santa Marta, onde hoje há uma rua em sua homenagem. Nesse evento primeiro, cujo centenário lembramos, houve música conduzida pela sobrinha da benfeitora do espaço, Maria Isabel Pacheco Jordão, organista no Bom Jesus, que acompanhou, ao piano, outros instrumentistas e cantores.
Esse célebre salão guarda a memória de décadas de atividades de catequistas empenhadas em ensinar a fé cristã aos meninos e meninas daquele tempo. Nele está a lembrança das festividades anuais de “distribuição de prêmios” aos alunos, memoráveis festivais artísticos com recitação de poesia, interpretação de personagens, canto a coro e orquestra, movimento cultural que ficou na memória e que nos revela, hoje, outra face histórica da igreja do Bom Jesus cujo passado não podemos esquecer. O silêncio atual do Salão Padre Taddei faz pensar que importante destino ele ainda poderia ter no movimento religioso junto ao Santuário Nacional do Apostolado da Oração.



