Advento: à espera da Luz consoladora
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Estamos chegando ao final do Tempo Comum, um período litúrgico onde meditamos a vida pública de Jesus, com seus ensinamentos, ações, parábolas e curas através dos seus milagres. Com o encerramento deste ciclo, iniciamos um novo ano litúrgico na Igreja, que é o Tempo do Advento, o qual nos introduz em um tempo de recolhimento para a chegada do Deus vivo, por isso, a cor roxa na liturgia.

Evidentemente devemos recordar que a presença de Deus já está neste mundo, portanto é necessário que nós cristãos é que devemos dar testemunho da sua presença através de nossa fé, esperança e amor que fazemos brilhar nas noites escuras do mundo, a Luz consoladora, que foi acessa na noite escura e fria de Belém. Através dessa Luz, as trevas do pecado foram desaparecendo, dando lugar para a luz divina do amor e do perdão, essa luz deve irradiar em nós, mostrando a esta sociedade dita moderna e evoluída, que somos nós os continuadores da luz de Cristo dentre os demais irmãos.

Cada vez que acendemos a luz que apaga o egoísmo humano, há um novo nascimento de Cristo e, assim, Deus nasce e permanecesse junto aos homens novamente, permitindo que as trevas do pecado sejam substituídas pelo esplendor de um Deus vivo e misericordioso. Desta forma, o Advento nos faz refletir pela espera não de uma novo Deus, mas um Deus que já começou o plano de salvação da humanidade. É o momento de meditarmos o início a chegada da plenitude da presença de Deus em nosso meio, renovando assim nossa esperança na salvação que vem do Senhor.

A alegria deve ser a principal característica do cristão, pois Deus, através de seu filho Jesus Cristo veio à terra e redimiu nossos pecados na cruz. Infelizmente muitos irmãos são seduzidos pelos prazeres momentâneos do mundo e saem da Igreja alegando que esta não lhes dá a verdadeira alegria. Entretanto, há nessa atitude uma ação extremamente equivocada, onde não se compreende a alegria em Cristo. O homem não consegue amadurecer as suas concepções para entender verdadeiramente a alegria maior que é viver no Cristo salvador, que na noite de Natal nasce em uma manjedoura, local onde os animais fazem as refeições, assim, o filho de Deus é oferecido, já desde o nascimento, em sacrifício pela humanidade e assim salvar o homem do pecado; é nessa ação salifica de Deus que tem inicio a alegria do homem.

Nesse período de recolhimento à espera do salvador, despontam duas grandes personagens bíblicas. João Batista e a Virgem Santíssima Maria nossa mãe, que na liturgia do Advento são pessoas preponderantes.

João Batista que anuncia a Jesus, mas pede a mudança de vida para receber aquele que nos redimir nossos pecados e nos abrir as portas do céu. O Cristo é aquele que muda a vida de quem adere ao projeto de salvação de Deus, deixando suas velhas ações para trás e renascendo em Cristo um novo homem. Depois temos em Maria, a serva do Senhor, que através do seu sim, trouxe ao mundo a Luz que dissipa as trevas do pecado e nos aponta o caminho da nossa salvação. Maria foi o sacrário vivo, pois gerou em seu ventre o Cristo salvador. No sim de Maria temos a adesão total ao projeto de Deus, atitude essa que somos convidados a seguir, aceitando Deus em nossas vidas.

Já dizia o Papa Bento XVI, “advento significa presença de Deus já começada, mas também apenas começada. Isto implica que o cristão não olhe somente o que já foi e o que aconteceu, como também o que está por vir. Em meio a todas as desgraças do mundo, tem a certeza de que a semente de Luz segue crescendo oculta, até que um dia o bem triunfará definitivamente: no dia em que Cristo retorne e tudo lhe estará submetido Sabe que a presença de Deus, que acaba de começar, será um dia presença total. E esta certeza a ele faz livre, o dá um apoio definitivo.”

Neste próximo período do Advento, vamos refletir sobre a presença de Deus na humanidade e os locais onde a Luz de Cristo precisa nascer para iluminar as trevas do pecado.

Concluindo, lembremos o que nos adverte nosso Papa Francisco: “A pessoa atenta também se preocupa com o mundo, procurando contrastar a indiferença e a crueldade presentes nele, e alegrando-se pelos tesouros de beleza que contudo existem e devem ser preservados. Trata-se de ter um olhar de compreensão para reconhecer quer as misérias e as pobrezas dos indivíduos e da sociedade, quer a riqueza escondida nas pequenas coisas de cada dia, precisamente ali onde nos colocou o Senhor.”

Um bom Advento a todos!