24º Domingo do Tempo Comum – Leituras Iniciais
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por Nilo Pereira

1ª Leitura (Êxodo 32,7-11.13-14)

Os povos do antigo Oriente eram agricultores e criadores de gado. A religião deles incluía cerimônias nas quais predominava a figura do touro. Eles acreditavam que celebrando ritos mágicos com este animal, símbolo da força e da fecundidade, as colheitas seriam abundantes e os rebanhos se multiplicariam.

Havia alguma possibilidade de que um dia Israel pudesse ser seduzido por estas práticas pagãs e as adotasse? Um povo libertado da escravidão do faraó “com mão forte e braço firme”, testemunha de tantos prodígios, pudesse trair o seu Senhor?

Nós também, como os israelitas, fazemos praticamente a mesma coisa. Ao ouvirmos a palavra de Deus, nos sentimos impelidos a segui-la com entusiasmo. Mas poucos dias ou talvez poucas horas depois, tudo volta a ser como antes.

Devemos desanimar então? Melhor é reconhecer que somos simplesmente fracos.

A primeira parte da leitura de hoje (vers.7-10) nos fala da indignação de Deus diante dessa infidelidade, e diz a Moisés: “Deixa, pois que se acenda a minha cólera e os reduzirei a nada; mas de ti farei uma grande nação” (vers.10). Moisés, como muitos de nós faria em nossa comunidade ao surgirem problemas, não se omite, prefere permanecer com os irmãos do que se salvar sozinho.

A segunda parte da leitura (vers.11-13) nos apresenta a oração de Moisés, que se comporta como uma criança que vê o seu pai carrancudo e começa a agradá-lo até arrancar-lhe um sorriso. Esta imagem é uma das mais enternecedoras da Bíblia.

Que motivos teríamos nós alegado para convencer Deus a desistir de sua ira? Talvez: “Vê Senhor, eles estão arrependidos, não farão mais isso, afinal o pecado não é tão grave assim. . .” Conversa fiada! O homem nunca deixa de ser pecador, repete sempre os mesmos erros, nunca se arrepende. . .!

2ª Leitura (1Timóteo 1,12-17)

Temos alguma prova que nos permita afirmar que Deus não condena ninguém? Com certeza! Na leitura da carta que hoje nos é proposta, Paulo nos apresenta uma prova indiscutível. Diz ele: “eu era um blasfemo, um perseguidor, um injuriador; não havia ninguém pior do que eu, mas o Senhor teve misericórdia de mim, porque Cristo veio a este mundo para salvar os pecadores, dos quais eu sou o primeiro” (vers.12-15).

Paulo afirma que Deus se serviu dele como um exemplo para mostrar como é grande a sua magnanimidade (vers.16). Se alguém como ele, inimigo da fé, “o primeiro entre os pecadores” conseguiu misericórdia, poderá alguém ter ainda medo de que Deus o trate com severidade?

O povo de Israel voltou à idolatria pagã levado pela ignorância; a ovelhinha – da qual nos fala o Evangelho de hoje – extraviou-se por engano – . . . por isso o Senhor se mostrou compreensivo com suas falhas. Perguntemo-nos, porém: há talvez alguém que peque de um modo diferente? Há alguém que, quando peca, sabe o que está fazendo? (Lucas 23,24).