Aclamação ao Evangelho

por Pe. Daniel Bevilacqua Santos Romano
“A leitura do Evangelho constitui o ponto alto da liturgia da Palavra, para o qual a assembleia se prepara com as outras leituras, na ordem indicada, isto é, a partir do Antigo Testamento até chegar ao Novo” (A Eucaristia – José Aldazábal)
A Igreja vê no Evangelho o próprio Filho de Deus; por isso o diácono coloca o Evangeliário sobre o altar, como para indicar que a Palavra do Verbo divino, contida no livro, é a mesma do Verbo encarnado, simbolizado pelo altar.
As Palavras divinas do Evangelho destroem pecados (o diácono cantava o Evangelho voltado para o norte, símbolo do frio e do mau. cf Jr 1,14), opera conversão dos pecadores, esclarece a inteligência. Por isso, depois de sua proclamação, explicam-se essas Palavras divinas na Homilia.
Essa importância da proclamação do próprio Cristo contida nos Evangelhos, o papa emérito Bento XVI explica em seu livro Dogma e Anúncio:
“O terceiro elemento pascal é ‘o cântico novo’: o Aleluia. É verdade que o novo cântico, em sentido pleno, apenas o cantaremos no ‘mundo novo’, quando Deus nos chamar pelo ‘novo nome’ (Ap 2,17), quando tudo se tiver tornado novo. Mas alguma coisa deste cântico nos é lícito antecipar na grande alegria da noite pascal, pois cantar e principalmente cantar o cântico novo, no fundo, não é outra coisa senão expressão da alegria. […] o aleluia é simplesmente o canto sem palavras de uma alegria que não precisa mais de palavras, porque está acima de todas elas. […] a expressão de uma alegria que ultrapassa e arrebenta todos os diques. Mas se o canto do aleluia é o terceiro elemento do drama simbólico da liturgia pascal, esse terceiro elemento no fundo é o homem mesmo, no qual está essa possibilidade primordial de cantar e jubilar. É como que uma primeira revelação daquilo que um dia pode e deve acontecer conosco: que todo o nosso ser seja uma única grande alegria. Que perspectiva! Ela não nos deveria mover de fato a esquecermos esta noite, tudo o que de mesquinho nos oprime e aflige mas, deixando-nos invadir por aquela grande possibilidade que secretamente já está em nós, cantando realmente: aleluia.”
Por isso, a aclamação do Aleluia que se canta antes do Evangelho, sobretudo nos domingos e dias de festa, tem uma razão de ser diferente. Este breve canto tem por si mesmo o valor de rito ou de ato litúrgico: os fiéis estão em pé e venerando o livro dos Evangelhos com suas aclamações ao Senhor, saúda-O pois irá falar e professa sua fé cantando.
No Missal: “Após a segunda leitura vem o Aleluia ou outro canto de acordo com o tempo litúrgico:
a) o Aleluia é cantado em todos os tempos, exceto na Quaresma, sendo iniciado por todos ou pelo grupo de cantores ou cantor, podendo ser repetido; os versículos são tirados do Lecionário.
b) o outro canto consiste num versículo antes do Evangelho ou num segundo salmo como se encontram no Lecionário.”
PROCLAMAÇÃO DO EVANGELHO
EVANGELHO= EUANGELIUM = EUANGELISASTHAI
Em Homero: é anúncio de uma vitória, e por conseguinte é um anúncio de bem, de alegria, de felicidade.
No Império Romano: “Euangelium” indica uma palavra, uma mensagem que vem do Imperador. Como mensagem imperial, é mensagem carregada de força e poder.
Também significa Boa Notícia.
É mais que um discurso, mas o anúncio de uma Pessoa.



