Conferência Vicentina do Bom Jesus

por Prof. Luís Roberto de Francisco
Para a Igreja Católica as ações sociais sempre tiveram enorme relevância. A cada tempo, chamada por nomes próprios, a caridade se baseia na máxima de que a fé não se sustenta sem as boas obras. Desde o século XIX conhecemos bem a ação das Conferências Vicentinas, oficialmente chamadas Sociedade São Vicente de Paulo (SSVP). O primeiro núcleo nasceu em Paris com jovens leigos, a fim de aliviar os sofrimentos de pessoas pobres e oferecer um mínimo de cuidado material e espiritual a quem precisa. Na década de 1830 crescia na França o movimento dos socialistas utópicos. Anticlericais criticavam o acúmulo de bens, luxo do clero católico e sua excessiva preocupação com o poder, propondo a distribuição dos bens aos pobres. Eram tempos de secularização na cultura na França. Frederico Ozanan, um italiano de vinte anos, que estudava em Paris, fundou com outros seis companheiros, a primeira Conferência da Caridade em 1833. Representou uma reação católica para impulsionar ações sociais em favor do povo miserável nas grandes cidades francesas.
Em agosto de 1872 o movimento vicentino chegou ao Brasil. No Rio de Janeiro um conjunto de leigos fundou a primeira Conferência Vicentina do país, para promoção da caridade na capital do Império. Dezessete anos depois foi a vez de Itu. A 02 de junho de 1889, na sacristia da Igreja do Bom Jesus, o Padre Bartolomeu Taddei reuniu um conjunto de senhores do Apostolado da Oração para sistematizar ações de caridade a quem já sabia bem cuidar da própria espiritualidade.
Essa foi a primeira de diversas Conferências Vicentinas fundadas em Itu. Foi dedicada a Nossa Senhora Candelária e teve por primeiro presidente o prof. Francisco Mariano da Costa Sobrinho. Ao longo desses 130 anos, tem servido aos seus bons propósitos.
Quando surgiu, em 1889, a cidade passava por mais uma terrível epidemia de varíola. O Padre Taddei propôs, então, a mobilização dos católicos para buscar meios de minimizar os horrores da doença, sobretudo juntos aos menos favorecidos.
Durante muitos anos foi atuante presidente da Conferência o sr. Luiz Gonzaga Novelli, pai do deputado ituano, cujo nome se notabilizou popularmente no Estádio Municipal. O velho Novelli estudou na Companhia de Jesus, onde teve a formação talhada para grandes coisas. Comerciante bem sucedido, pai de numerosa família, redator deste jornal A Federação por duas décadas, encontrava tempo para andar pelas ruas de Itu, bater à porta das casas de gente necessitada, levar mantimentos e uma palavra de atenção, coisa própria do carisma vicentino.
Há trinta anos celebrou-se em Itu o centenário da primeira Conferência Vicentina, com missa cantada na Igreja do Bom Jesus e reunião festiva. Era presidente o sr. Assuero Santos Jr. Os velha guarda da ação social ainda mantinha o entusiasmo da caridade que os movia.
Creio que a Conferência de Nossa Senhora Candelária ainda vive, sob a tutela de abnegados homens de fé. Como ponto de partida, deve continuar inflamando os outros grupos à iniciativa de caridade em nossa terra.
Bendita!




