Metamorfose e volta às origens

Na década de 2010 o editor d’A Federação era Joitiro Abe e contava com a colaboração, na redação, de Tadeu Italiani e Valdomiro Carezia. A diagramação era feita por Rosemeire Mendes. Já haviam falecido o Diácono João Navarro a sua esposa Nenita e o emérito jornalista Ednan Mariano Leme da Costa. O grupo administrativo era muito atuante, criou o segundo caderno, com páginas coloridas, em substituição ao Caderno Extra. O jornal era bom divulgador das atividades sociais, políticas e culturais da cidade.
No final desse período, porém, o jornal A Federação perdeu muito da sua força dentre colaboradores. Já não havia mais a quantidade de voluntários para escrever e nem mesmo os recursos necessários para manter-se.
Uma longa transição, com a participação do experiente Tadeu Moraes, chegando ao grupo atual, acabou por voltar o jornal à centralidade original, ou seja, um jornal católico, voltado para a defesa da fé e dos interesses da Igreja Católica.
É verdade que A Federação nunca deixou de lado o seu compromisso com o ambiente religioso, mas, com as dificuldades financeiras e de pessoal, os colaboradores semanais, passaram a ser mensais. O Padre Salathiel de Souza é um exemplos da permanência mensal até o presente.
Manteve-se a Palavra do Pastor, coluna semanal que já vinha de Dom Amaury Castanho, como vimos, passando por Dom Gil Antonio Moreira e Dom Vicente Costa. Essa participação do bispo diocesano fortalece o caráter de formação que o jornal nunca perdeu e o integra à Igreja particular de Jundiaí, mesmo não sendo um órgão de pastoral de comunicação.
Colaboradores ativos da década anterior, como Rubens Pantano, que mantinha um colégio na cidade, Valdomiro Carezia e Celso Brisotti, que também estavam na mantenedora do jornal e escreviam sobre temas gerais, visão sobre a cidade de Itu e questões sociais, deixaram de participar. A coluna “vaias e aplausos” com fotos de João Gimenez, substituindo a antiga “nota cem e sem nota”, com observações e sugestões à administração pública da cidade, deixou de existir. Manteve-se, porém, semanalmente, a caricatura feita pelo artista Rucke, ainda presente nas edições do jornal.
Perdeu-se o espaço de memória através de fotos antigas (Só aconteceu em Itu…), mas foi criado o espaço “Memória da Federação”, com notícias de edições antigas do jornal, inicialmente, de anos diferentes. Desde 2018 é feita pela Biblioteca Histórica do Bom Jesus sobre edição há 100 anos.
Extinguiu-se uma coluna de entrevistas com pessoas da comunidade, com participação ativa em grupos, e que prestam serviço importante à cidade.
Percebe-se que um órgão de imprensa deve estar afinado com o tempo em que vive. As redes digitais ativaram uma nova comunicação que faz parte da linguagem ativa do jornal, permitindo a comunicação mais rápida, sem perder a impressão do jornal físico. Mas, sobretudo, a centralidade na difusão do Evangelho, a divulgação da vida da Igreja, o papel de formação religiosa católica, tornou-se, novamente, meta central n’A Federação, caráter que permanece ativo e presente nos dias atuais.
Luís Roberto de Francisco
Biblioteca Histórica
do Bom Jesus

