Dar voz ao laicato católico

A escolaridade nunca foi o forte na política brasileira. Ainda hoje temos doze milhões de analfabetos no país. No século XIX, quando viveu o padre Taddei e se desenvolvia o Apostolado da Oração, os números eram gritantes. Em 1890, 82% da população com idade superior a cinco anos era analfabeta.
Pequena parcela de pessoas estudava regularmente e pouquíssimas chegavam ao curso superior. Os intelectuais leigos (professores e advogados) faziam parte de um grupo seleto e pouco ligado às ideias religiosas. Quando passavam pela faculdade, estudavam pensamentos diferentes do Cristianismo, sustentadas pelo Liberalismo e Socialismo, por exemplo. Muitos se intitulavam anticlericais. Dentre eles, poucos eram católicos praticantes e alguns até faziam parte do Apostolado da Oração.
Quando Taddei organizou o primeiro Congresso Católico Brasileiro, em 1900, além de convocar bispos e padres, empenhou-se em chamar leigos que poderiam influenciar, fazendo a ponte entre a sociedade civil, a política, a imprensa e a religião. Na verdade, Taddei, como reflexo do Concílio Plenário Brasileiro, pretendia desenvolver um projeto de ação católica, educacional e social para o Brasil que havia deixado de ser monarquia e que, sob a nova Constituição (1891), tornara-se um país de cultura laica.
O Congresso aconteceu em um momento festivo, do quarto centenário do descobrimento do Brasil. Apoiou-se em cinco temas principais: a vida cristã, a educação, a imprensa católica, as questões sociais e os problemas políticos diante do indiferentismo da elite política.
Um dos leigos participantes, Tiburtino Mondin, proclamava: “aqui estamos, reunidos pelo Apostolado da Oração, ao qual se deve em grande parte a revivescência da Fé Católica no Brasil. Pois bem: saiamos daqui somente depois de havermos organizado como convém o Apostolado da Ação.” Este leigo animado é o autor da música mais cantada na Igreja no Brasil, o “Coração Santo”!
Outro, Brasílio Machado, professor de Direito, escreveu: “a formação de um apóstolo leigo que, pela honestidade dos seus costumes, pela integridade de sua vida, pela força do seu exemplo e pela sua ação pública social, auxilie o apostolado do clero, parece dever constituir o primeiro esforço”.
Outros pensaram soluções, inclusive à causa operária, apesar de pouco sucesso. Como finalização do evento, reunidos na antiga Sé de Salvador, os leigos encaminharam ao Congresso Nacional brasileiro, um documento com as seguintes reivindicações: “Queremos a concórdia dos dois poderes, o eclesiástico e o civil… Queremos para a Religião Católica, Apostólica, Romana… para as suas leis e princípios, a atenção e o respeito dos poderes públicos… Queremos e reclamamos que seja pelas leis reconhecido o sacramento do Matrimônio, ficando embora os cônjuges obrigados ao registro civil do seu casamento… Queremos banido do ensino oficial o ateísmo, e que não se proíba em nossas escolas proferir-se o nome santo de Deus… que se faculte nelas o ensino católico aos alunos, quando esta for a crença de seus pais.”
Assim, pelas mãos de Taddei, cresceu ainda mais a representatividade do Apostolado da Oração na cultura brasileira.


