5º Domingo da Páscoa – Leituras iniciais

Coluna organizada por Nilo Pereira, segundo a exegese do Pe. Fernando Armellini, scj
Sugerimos que antes de lerem estes comentários, façam as leituras na Bíblia.
1ª Leitura (Atos 6, 1-7)
Esta leitura nos apresenta a primeira tensão séria surgida no seio da comunidade de Jerusalém. Os primeiros cristãos viviam em perfeita harmonia e gozavam da estima de todo o povo (ler suas características em Atos 2, 42-47).
Mas em Jerusalém corria tudo bem mesmo? O autor do livro dos Atos não terá se deixado embalar pelos sonhos? Não terá trocado a realidade pelo ideal que tinha em mente? Não há dúvida que ele coloriu um pouco e idealizou.
Ele partiu de acontecimentos reais como a radical mudança dos sentimentos e das relações dentro do grupo dos discípulos depois da ressurreição de Cristo. Em seguida generalizou estas experiências de algumas pessoas e serviu-se delas para traçar o esboço de uma comunidade cristã modelo.
Em Jerusalém a comunidade está formada inicialmente por judeus. Estes, porém, pertencem a dois grupos bem distintos:
1) os judeus, nasceram e cresceram na Palestina, falam aramaico e frequentam a Sinagoga onde se lê a Bíblia em hebraico e estão muito apegados às tradições e à lei de Moisés.
2) os helenistas, nasceram e cresceram no exterior, são liberais em relação às normas ensinadas pelos rabinos, falam grego e nas suas sinagogas leem a Bíblia na tradução grega.
Esta diversidade de origem, de língua, de mentalidade está na base das crescentes tensões entre os dois grupos.
Diante das grandes necessidades da comunidade, os apóstolos não reservam para si toda a autoridade, não querem assumir todo o trabalho, não aceitam ser os únicos responsáveis por todas as tarefas e por todos os trabalhos.
Convocam, ao invés, a comunidade para que escolha pessoas com capacidade, às quais possam confiar as atividades assistenciais. Reservam para si um só ministério, o mais importante: o anúncio da Palavra.
2ª Leitura (I Pedro 2, 4-9)
Pedro compara a Igreja a um edifício espiritual. O construtor é Deus e o material não é constituído por tijolos de barro, mas por pedras vivas que são os homens.
A construção começou com uma pedra angular muito sólida que foi colocada como fundamento de todo o edifício: Cristo. Sobre ele Deus foi colocando outras pedras vivas: os que acreditam nele, os recém batizados aos quais o autor da carta está falando na Noite da Páscoa. Unidos com Jesus, eles formam um novo e imenso templo (vers.4-5).
Já foi anunciado no A.T. (Salmos 118,22) que um dia Deus apanhará uma pedra que foi jogada fora pelos homens e a colocará na base de um novo edifício (vers.6). A realização desta profecia aconteceu com a ressurreição de Jesus. Ele foi rejeitado pelos chefes políticos e religiosos do seu povo.
Mas, Deus, no dia da Páscoa, foi busca-lo e o colocou como fundamento da nova construção. Nela, todos oferecem, junto com Cristo, sacrifícios espirituais que agradam a Deus: a vida santa, irrepreensível e repleta de obras de amor. Por estes sacrifícios que é chamado a oferecer, todo cristão se torna, pelo batismo, sacerdote.




