2º Domingo da Quaresma – Leituras Iniciais

Coluna organizada por Nilo Pereira, segundo a exegese do Pe. Fernando Armellini, scj
Sugerimos que antes de lerem estes comentários, façam as leituras na Bíblia.
1ª Leitura (Gênesis 12,1-4a)
Esta leitura apresenta o começo da história da salvação. Tudo começou com a manifestação de Deus a Abraão e com o seu chamado a ser pai de um grande povo. Este começo tem uma data histórica bastante sólida. Abraão viveu há mais ou menos 1850 anos antes do nascimento de Jesus, isto é, há cerca de 4000 anos atrás.
Diante deste fato, surge uma pergunta: diz a ciência que os primeiros homens apareceram sobre a terra há dois ou três milhões de anos, então porque Deus esqueceu deles por tanto tempo? Como nos ensinam os Atos dos Apóstolos: “nas gerações passadas, ele não cessou de dar provas de si, beneficiando a todos os homens, proporcionando do céu chuvas e estações ricas em frutos, fornecendo alimento e inundando de alegria os seus corações (Atos 14,16-18).
Com a vocação de Abraão, porém, começa alguma coisa totalmente nova. Deus intervém para formar para si um povo, através do qual a salvação atingirá todos os homens.
Abraão vive na Mesopotâmia (atual Iraque) uma terra fértil porque é irrigada por dois grandes rios (Tigre eu Eufrates). Por volta de 1850 a.C., acontecem na Mesopotâmia perturbações políticas e muitos são obrigados a emigrar. Não devemos imaginar, portanto, a vocação deste Patriarca como uma voz misteriosa que veio do céu. Ele acredita que o Senhor mantém a promessa, sabe que, não obstante todas as aparências contrárias, ele o conduzirá para uma terra rica e fecunda.
Eis, em síntese, a escolha que é proposta a Abraão: pede-lhe que deixe o modelo de vida que está levando e que lhe dá segurança, e siga um caminho completamente novo e desconhecido; deve confiar somente naquele que lhe prometeu uma terra, um povo e uma bênção.
O que aconteceu a Abraão é imagem do que acontece na vida de todo aquele que recebe instrução preliminar em doutrina e moral para ser admitido entre os fiéis, na Igreja. Deus invade sua vida, rompe todo falso equilíbrio, promete-lhe uma vida diferente, autêntica, repleta de amor e paz!
2ª Leitura (II Timóteo 1,8b-10)
Quando lhe foi enviada esta carta, Timóteo era, há vários anos, Bispo de Éfeso (na atual Turquia), uma das maiores cidades do Império Romano.
As coisas não correm muito bem para as comunidades de toda aquela região; há sérias dificuldades, começam as primeiras perseguições, muitos cristãos vacilam na sua fé, começam a desertar dos encontros da comunidade e voltam a fixar seus olhos e seus interesses nos bens deste mundo.
No trecho extraído desta carta, o autor quer reanimar estes discípulos em suas provações. Lembra-lhes que a fidelidade a Cristo implica riscos ponderáveis e ainda muitos sofrimentos. Não foi fácil a vida de Abraão, nem a de Cristo, nem de Paulo, nem de Timóteo. Tampouco o será a vida dos cristãos.
Na segunda parte da leitura (ver.9-10), outro ensinamento importante é lembrado: “a vocação cristã é totalmente gratuita; nada podem fazer os homens para merecê-la”. É um dom.

