6º Domingo do Tempo Comum

Diác. Francisco Martins
Paróquia São Cristóvão
“Se a vossa justiça não for maior que a justiça dos mestres da Lei e dos fariseus, vós não entrareis no Reino dos Céus.”
Evangelho (Mt 5,1-12a)
No Evangelho deste 6º Domingo do Tempo Comum, Nosso Senhor nos exorta a cumprirmos os mesmos Mandamentos que Moisés apresentou no Antigo Testamento, porém explica a verdadeira amplitude deles, mostrando que se estendem também ao interior do homem. Cristo não veio para abolir os Mandamentos, mas para garantir seu pleno cumprimento, como se o Antigo Testamento fosse uma semente ou uma pequena planta que agora Jesus leva à sua plenitude, obtendo-lhe os frutos.
Na prática, Jesus está elucidando, por meio de contraposições, aquilo que está implícito na lei mosaica. Ao falar sobre o “não matarás”, por exemplo, Ele aborda outras maneiras pelas quais podemos “matar” alguém: “Todo aquele que se encoleriza com seu irmão será réu em juízo; quem disser ao seu irmão; “patife” Será condenado pelo tribunal (Mt 5,22).
Se alguém vai ao templo para apresentar sua oferenda, e se aí se lembrar de alguma desavença que tem com um irmão, deixe a oferenda diante do altar e vá primeiro reconciliar-se com seu irmão. E só então volte para entregar sua oferenda.
Ao tratar sobre o adultério, ele destaca que tal pecado não se restringe ao ato sexual extraconjugal, mas se estende também a olhares, intenções e pensamentos: Todo aquele que olhar para uma mulher, com desejo de possuí-la, já cometeu adultério com ela no seu coração (Mt 5,28).
Portanto, para sermos puros, é necessário evitar olhares e pensamentos que possam instigar vontade o cometer esses pecados. Isso porque o nosso principal “órgão sexual” é o cérebro, que é afetado e impulsionado por imagens e fantasias oriundos de olhares e pensamentos.
Assim, ao dizer que precisamos “arrancar” o olho para não cometermos adultério em nosso “coração”, Jesus foi, na verdade, profundamente caridoso, pois nos exortou mesmo que por metáforas, a ”cortar o mal pela raiz”, a combater o pecado em sua origem, detendo olhares e pensamentos a fim de não olharmos sexualmente para as pessoas, mas sim vivermos a pureza.
Para isso, é indispensável um profundo amor por Deus, que generosamente nos leva, não apenas a evitar o ato pecaminoso, mas a combater tudo aquilo que o procede e o prepara.
Busquemos, pois amor a Deus profundamente, cumprindo os Mandamentos, evitando o pecado e combatendo tudo aquilo que conduz a ele. Assim, estaremos levando a Lei do Antigo Testamento ao seu pleno cumprimento, e demonstrando que, se Deus é o Deus de amor. Ele só pode gerar filhos que amam, e que expressam o seu amor em obras concretas.