5º Domingo do Tempo Comum – Leituras Iniciais

Coluna organizada por Nilo Pereira, segundo a exegese do Pe. Fernando Armellini, scj
Sugerimos que antes de lerem estes comentários, façam as leituras na Bíblia.
1ª Leitura (Isaias 58,7-10)
O jejum é uma prática religiosa conhecida por todos os povos. Desde os tempos antigos, quando se encontravam em situações de sofrimento ou perigo, quando eram atingidos por desgraças ou calamidades, quando o granizo ou gafanhotos ameaçavam as colheitas, quando as chuvas demoravam a chegar, os homens sempre recorreram à oferta de sacrifícios voluntários apelando a Deus e às forças sobrenaturais a intervirem a seu favor.
A leitura de hoje nos recorda uma dessas situações difíceis, durante a qual os israelitas sentiram a necessidade de propor o “jejum”: vestiam roupas rasgadas, jogavam sobre o corpo pó e cinzas, renunciavam às relações conjugais, não tomavam banho, andavam descalços, dormiam no chão, mas “nada muda”. Então todos se perguntam: “por que jejuar se afinal o Senhor não nos escuta e não intervém?”
O profeta assim responde: “a culpa não é do Senhor, é o vosso jejum que não presta”. Em seguida explica qual é o verdadeiro jejum, aquele que agrada a Deus consiste em “dividir o próprio pão com quem tem fome, em abrigar na própria casa quem não tem teto para se proteger, em vestir quem está nu” (vers.7).
É importante o último versículo desta leitura porque prepara a mensagem do Evangelho de hoje (vers.10). Para Deus interessam somente as obras de amor em favor do homem. Estas são “a única luz” que ele deseja ver brilhar no seu povo.
2ª Leitura (I Coríntios 2,1-5)
Neste trecho da carta aos cristãos de Corinto, Paulo desenvolveu o tema da preferência de Deus por tudo aquilo que é humilde, desprezado e sem valor.
Na primeira parte (vers.1-2) fala de sua pregação. Diz que não foi para Corinto para apresentar uma nova doutrina, como faziam os sábios de seu tempo; estes sabiam que não teriam conseguido convencer ninguém se não tivessem à sua disposição os meios adequados: “a sublimidade da linguagem e da sabedoria”.
Ele, ao contrário, não possui nenhum desses requisitos e anuncia uma mensagem estranha, humanamente absurda: “um homem condenado à morte”.
Na segunda parte (vers.3-5) passa a apresentar a si mesmo como pregador: um homem fraco, medroso, com pouca facilidade de se comunicar. Não obstante esta falta de recursos humanos, ele constata que o Evangelho se difundiu muito em Corinto, porque a palavra de Deus é forte por si mesma e a sua penetração no coração dos homens não depende dos meios humanos.
Esta leitura é um convite para nossa reflexão, hoje. Por que nos preocupamos tanto em sustentar a nossa mensagem com recursos humanos? Não será talvez porque não cremos na força intrínseca da Palavra que anunciamos? Não fazemos talvez uso desses meios porque faltam, nas nossas comunidades, aquelas obras de amor ao irmão, que são os únicos sinais que comprovam a presença e a atividade do Espírito Santo?

