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Por Nilo Pereira

Sugerimos que antes de lerem estes comentários, façam as leituras na Bíblia.

1ª Leitura (Atos dos Apóstolos 14,21b-27)

Alguns cristãos consideram ainda a comunidade como um “armazém” no qual cada um pode “adquirir” os meios espirituais necessários para a “salvação da própria alma”. Esta visão conduz à exasperação da “religião dos méritos”: o paraíso – pensa-se – deve ser conquistado pela prática das boas obras e no fim, pode haver alguns arranjos.

Os discípulos de Jesus formam um único corpo no qual os membros, individualmente, não podem viver uns sem os outros. São um povo, uma família na qual cada um é, de alguma forma, responsável por aquilo que os outros fazem.

Não é possível conceber a vida cristã de forma individualista: quem não se relaciona com os outros, quem vive sozinho, quem pensa exclusivamente em si mesmo e no próprio progresso espiritual, pode até ser uma pessoa boa, piedosa, religiosa, mas não é um cristão. Eis porque, desde o começo, os apóstolos sentem a necessidade de fundar em todos os lugares “centros de fraternidade” dirigidos por “anciãos”, isto é, pessoas que hoje chamamos de responsáveis pelos diversos ministérios da comunidade. Trata-se dos ministros: da Eucaristia, do anúncio da Palavra, da catequese, da preparação ao Batismo, dos funerais, da liturgia. . .

O trabalho missionário não se encerra na hora do batismo, quando as pessoas abraçam a fé. É necessário que os fiéis se transformem numa “comunidade” na qual cada um se sinta um membro vivo, dinâmico, co-responsável. Nesta família de irmãos, cada um deve se sentir chamado a servir os outros, desenvolvendo um ministério com generosidade, humildade e desinteresse.

 

2ª Leitura (Apocalipse 21,1-5a)

Em nenhum dia de sua vida uma mulher aparece tão encantadora, tão maravilhosa, tão atraente como no dia do seu casamento. É jovem, no seu rosto não há nem manchas nem rugas; provoca admiração de todos. Nos dias de hoje, observando as nossas comunidades, poderíamos compará-las a esposas? Talvez não! São diferentes das lindas jovens que todos olham com agrado, ou estão cheias de defeitos? Mas devemos desanimar por causa disso?

Esta passagem do Apocalipse nos transmite uma mensagem de alegria e de esperança; descreve o encerramento da história da humanidade. A Igreja se tornará esplendorosa “como uma esposa ornada para o esposo” (vers.2); todos os males do mundo desaparecerão: um novo céu e uma nova terra serão criados.

As últimas imagens retomam as do domingo passado: Deus habitará para sempre com o seu povo e “enxugará todas as lágrimas de seus olhos e já não haverá morte nem luto nem grito nem dor, porque passou a primeira condição (vers.4).