A ternura do Natal
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por Olga Sodré

O Natal se aproxima, e é importante nos perguntar o que é o Natal para nós. É simplesmente uma reunião de família ou entre amigos para a ceia e a troca de presentes? Com a aproximação dessa festa, muitas pessoas me perguntam com quem vou passar o Natal. A intenção da pergunta é a mais amorosa possível, pois não querem deixar uma pessoa idosa ficar só na noite de Natal. Todos se espantam, contudo, quando eu digo que não vou passar sozinha. Então, com quem você vai ficar nessa noite? – Indagam pressurosos. E eu respondo rindo: Vou passar o Natal com o aniversariante! Divirto-me sempre com a cara de espanto que fazem…
De fato, a noite do Natal é muito importante para mim, pois foi numa note de Natal que eu tive a mais extraordinária experiência de minha vida.
Em dezembro de 1992, eu estava já há alguns anos afastada da fé católica, e me encontrava numa comunidade do sul da Índia. Era a noite de Natal, e estávamos reunidos em um pátio aberto sob um céu estrelado, sentados em torno de um mestre espiritual. Ao entrar em meditação profunda, senti a presença de alguém que caminhava em minha direção. Pensei que poderia ser o nosso mestre, e abri os olhos. Ele, porém, continuava sentado em sua cadeira, e não havia ninguém caminhando entre nós. Voltei a meditar e, desta vez, percebi ainda mais fortemente essa presença ao meu lado. Abri pela segunda vez meus olhos, e não havia ninguém ao meu lado. Fechei novamente os olhos, e consegui captar ao meu lado uma forte, delgada e suave presença masculina. Compreendi, portanto, que se tratava de uma experiência espiritual, na qual eu apenas vivenciava essa presença, mas nada via. Voltei a meditar, e pela terceira vez, senti ainda mais fortemente tal presença ao meu lado. Ao fixar nela minha atenção, experimentei, então, a vivência de uma extraordinária onda de ternura que emanava dessa presença e me envolvia. Eu experimentara antes a ternura humana de muitas pessoas queridas, mas nunca antes eu entrara em contato com esse indescritível sentimento de ternura em estado puro, como se fosse um deslumbrante diamante. Assim sendo, só poderia ser uma ternura divina! Nesse momento, não sei como, tive a certeza que essa ternura indicava a presença divina de Jesus, e compreendi que ele viera me buscar de volta para ele.
Todo Natal, desde então, quando olho para a suave presença do menino Jesus no presépio, eu volto a entrar em contato com essa ternura divina. Assim sendo, para mim, o Natal é a vivência do indescritível Amor divino de Jesus, que veio me buscar de volta para que eu também participasse de sua chegada e retornasse a caminhar rumo ao seu Reino.

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