29º Domingo do Tempo Comum
Diác. Valdeci Florentino Santos – Paróquia Nossa Senhora Aparecida
“Dai pois a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus”.
Evangelho (Mt 22,15-21 )
Meus irmãos e minhas irmãs, o Evangelho nos apresenta Jesus em Jerusalém, próximo da celebração da Páscoa. Enquanto ensina, alguns discípulos dos fariseus e partidários de Herodes se aproximam com uma pergunta: “É lícito ou não pagar imposto a César?” (Mt 22,17).
Antes de perguntar, eles elogiam Jesus, reconhecendo sua sinceridade e sua fidelidade ao caminho de Deus. Entretanto, por trás dessas palavras, existe uma intenção maliciosa. Não procuram orientação para agir corretamente; querem encontrar um motivo para acusá-lo.
A pergunta coloca Jesus diante de uma armadilha. Se defendesse o pagamento do imposto, poderia ser visto como alguém que aceitava a dominação romana. Se o rejeitasse, poderia ser denunciado às autoridades como alguém que incentivava a revolta contra o imperador.
Jesus percebe a intenção de seus interlocutores e pede que lhe mostrem a moeda do imposto. Depois, pergunta de quem são a imagem e a inscrição nela gravadas. Eles respondem: “De César”. Então, Jesus declara: “Dai, pois, a César o que é de César e a Deus o que é de Deus” (Mt 22,21).
Com essa resposta, o Senhor nos ensina a reconhecer nossas responsabilidades na sociedade, colocando Deus no centro de nossa vida. Temos deveres como cidadãos: agir com honestidade, respeitar os direitos dos outros, cuidar do bem comum e contribuir para uma convivência justa e pacífica. A fé nos ajuda a assumir essas responsabilidades com consciência e compromisso.
Contudo, nenhuma autoridade humana pode ocupar o lugar de Deus. Nossa consciência e nossa dignidade não podem ser entregues sem discernimento aos interesses do poder. Quando uma exigência humana fere a justiça ou desrespeita a vida, precisamos encontrar no Evangelho a luz para reconhecer o que é correto e a coragem para agir.
A moeda trazia a imagem de César. E nós, meus irmãos, que imagem trazemos? Desde a criação, cada pessoa humana é imagem e semelhança de Deus. Por isso, dar a Deus o que é de Deus significa oferecer-lhe nossa própria vida: nossos pensamentos, nossas escolhas, nosso trabalho, nossas relações e nossos projetos.
Não podemos reservar a Deus apenas alguns momentos de oração e deixar o restante de nossa existência distante de sua Palavra. A fé que celebramos precisa aparecer na maneira como tratamos nossa família, cumprimos nossos compromissos e acolhemos quem necessita de ajuda.
Reconhecer a imagem de Deus em nós também exige reconhecê-la no próximo. Ela está no rosto do pobre, do enfermo, do idoso, da criança e de quem pensa de maneira diferente da nossa. Ninguém perde sua dignidade por ser frágil, precisar de cuidado ou viver uma situação difícil.
Hoje, o Senhor nos convida a examinar o coração: o que tem orientado nossas decisões? Temos colocado nossos interesses acima da verdade e da justiça? Nossa participação na sociedade expressa o amor que professamos?
Peçamos a graça de viver com integridade, unindo oração e compromisso, fé e caridade. Que saibamos cumprir nossos deveres e oferecer a Deus tudo o que somos.
Que nossa vida seja uma resposta agradecida ao seu amor, e que nossas atitudes revelem a imagem divina que trazemos em nós.
Amém.



