27º Domingo do Tempo Comum
Diác. Valdeci Florentino dos Santos
Paróquia Nossa Senhora Aparecida
“A pedra que os construtores rejeitaram tornou-se a pedra angular”.
Evangelho (Mt 21,33-43)
Neste domingo, Jesus nos apresenta a parábola dos lavradores da vinha. Por meio dessa imagem, somos convidados a reconhecer o cuidado de Deus por seu povo e a refletir sobre nossa resposta ao seu amor. O Senhor prepara a terra, planta a vinha e oferece tudo o que é necessário para que ela produza bons frutos. Depois, confia seu cultivo aos trabalhadores.
Assim também acontece conosco. A vida, a fé, a família e a comunidade são dons que recebemos de Deus. Somos chamados a cuidar desses presentes com gratidão e responsabilidade. A vinha pertence ao Senhor; nós somos seus colaboradores.
Na parábola, porém, os lavradores se comportam como proprietários. Recusam-se a entregar os frutos e rejeitam os enviados do dono da vinha. Jesus dirige essa advertência aos chefes dos sacerdotes e aos anciãos, questionando a maneira como exerciam sua responsabilidade diante do povo. Hoje, essa mesma Palavra interpela todos nós, especialmente quando transformamos o serviço em poder, buscamos vantagens pessoais ou nos fechamos à conversão.
Deus, entretanto, não desiste de sua vinha. Continua enviando seus mensageiros e, por fim, envia o próprio Filho. Nesse gesto, contemplamos a grandeza de seu amor: mesmo diante da resistência humana, o Senhor oferece uma nova oportunidade de reconciliação.
O Filho rejeitado nos faz olhar para Jesus, que entrega sua vida pela nossa salvação. Sua resposta à violência não é o ódio, mas o amor levado até o fim. Na cruz, Ele revela uma misericórdia que nos chama ao arrependimento e abre o caminho de uma vida nova.
Essa parábola não deve nos levar a julgar outros povos ou a considerar que somos melhores do que aqueles que nos precederam. Ela nos convida, antes de tudo, a examinar o próprio coração. Também nós podemos rejeitar o Senhor quando ignoramos sua Palavra, desprezamos o sofrimento do próximo ou resistimos aos apelos de mudança.
Por isso, precisamos nos perguntar: quais frutos estamos produzindo na vinha que Deus nos confiou?
Os frutos que o Senhor espera são concretos: amor, justiça, paz, perdão, partilha e serviço. Eles aparecem na paciência dentro de casa, na honestidade do trabalho, no cuidado com os enfermos, na acolhida aos pobres e na disposição de ouvir quem precisa de atenção. A fé amadurece quando se transforma em gestos de caridade.
Nossas comunidades também são chamadas a produzir esses frutos. Pastorais, movimentos e ministérios existem para servir e evangelizar. Quando caminhamos juntos, respeitamos uns aos outros e colocamos nossos dons a serviço, testemunhamos o Reino anunciado por Jesus.
Não estamos sozinhos nessa missão. O Senhor nos sustenta com sua Palavra, fortalece-nos pelos sacramentos e alimenta-nos na Eucaristia. Sua graça nos ajuda a recomeçar e a cuidar melhor daquilo que recebemos.
Peçamos, nesta celebração, um coração humilde, disposto a acolher a voz de Deus. Que abandonemos o comodismo e renovemos nosso compromisso com o Evangelho.
Que o Senhor encontre em nossa vida e em nossas comunidades uma vinha fecunda, capaz de oferecer frutos de amor, fraternidade e esperança.
Amém.


