Viva a Mãe de Deus e nossa
O Hino à Gloriosa Padroeira do Brasil, oficializado em 1951, no dia de Nossa Senhora Aparecida, por Dom Carlos Carmelo de Vasconcelos Mota, então Arcebispo de São Paulo, é uma das mais conhecidas melodias do Catolicismo devoto do Brasil. Deve rivalizar com o “Coração Santo”, no que tange ao conhecimento popular.
É composição escrita por um paulista de Lorena, José Vicente de Azevedo (1859 – 1944), de quem acabo de reler a biografia. Ele se mudou bem jovem para São Paulo, a fim de estudar Direito, empregando recursos pessoais e as terras que adquiriu no bairro do Ipiranga para organizar instituições que acolhessem crianças órfãs e pessoas que haviam sido escravizadas. Um homem de grandes ideais! Atuou junto à Madre Paulina, hoje canonizada e deu abrigo a congregações religiosas, expandindo a região próxima ao Museu Paulista. Por isso ganhou o título de Conde Romano, dado pelo Papa.
Azevedo foi uma figura eminente, deputado influente, naquele tempo em que professores contavam com prestígio social; lecionou Geografia na Faculdade de Direito do Largo de São Francisco por quase quarenta anos.
O Hino à Padroeira do Brasil, como decretou o Arcebispo, foi escrito em 1905, fruto de uma peregrinação que José Vicente de Azevedo fez à basílica (em 1951 só existia a velha). O ambiente, em sua casa, era de grande envolvimento com a música sacra; a sua filha foi casada com o maestro Fúrio Franceschini, italiano radicado em São Paulo, professor no seminário, organista da Sé, talvez o mais importante compositor de música sacra de seu tempo; escreveu, inclusive, um Hino a Itu, afinal visitava muito nossa cidade, onde era professora de música a sua filha, Irmã Candinha (Irmã Irene Franceschini), no Colégio Patrocínio. Entrevistei-a em 2008, poucos dias antes de falecer, quando contou também a história da família ligada à música.
O Hino à Gloriosa Padroeira do Brasil tem vinte estrofes de louvores a Nossa Senhora da Conceição Aparecida, em estrutura quase marcial, que convida à exaltação a Maria. O Coro do Bom Jesus tem uma partitura muito antiga, o que revela que o hino é cantado em Itu desde que ela foi divulgada.
O mesmo cardeal Arcoverde, que em 1904, cinquentenário da proclamação do dogma da Imaculada Conceição, conseguiu do Papa Pio X a autorização e ele mesmo colocou aquela coroa que brilha sobre a imagem da Padroeira do Brasil, quatro anos depois, estava no nosso Bom Jesus para impor à imagem do Coração de Jesus uma joia preciosa; a religiosidade ituana estava ligada à devoção mariana em Aparecida.
Outra melodia importante de devoção a Nossa Senhora Aparecida é o hino “Ó Virgem da Conceição” de quem o Coro do Bom Jesus tem um arranjo exclusivo escrito pelo Padre José Ramón Zabala. No próximo mês vou contar a história do Coro e desse regente.
Ambas as melodias a Nossa Senhora Aparecida são conhecidas e cantadas pelo povo nestes dias em que inicia-se a novena em preparação à festa de 12 de outubro, devoção central do povo brasileiro.




