Amizade, um Privilégio
Compartilhe

“Amigo é um privilégio, não há cursos de amizade no colégio. Amigo, por vezes faz chorar de alegria, mas alguns não vemos há tanto tempo que ficamos cheios de nostalgia. Por isso, vou mandar minha mensagem a meus amigos para “abraçá-los” com satisfação e com harmonia nesta época de alegria (alegria?). Amizade, na realidade não vem do interior nem da cidade, e quem tiver sincera amizade sentirá que ela então, nasce no coração”.
Alguns, menos jovens, vão reconhecer as rimas desta mensagem, e vão comprovar que eu não sou poeta, apenas faço algumas adaptações de textos conhecidos para o nosso cotidiano. Hoje, estou buscando ressaltar a necessidade que temos de amigos, nesta época em que, cada vez se prioriza a tecnologia em prejuízo da busca do aprimoramento da nossa condição humana, ou seja, do nosso coração.
Afinal temos que lembrar da passagem do Evangelho de João 15,13-15: “Ninguém tem maior amor do que aquele que dá a vida pelos seus amigos. Já não vos chamarei servos, porque o servo não sabe o que faz o seu senhor; mas tenho-vos chamado amigos, porque tudo quanto ouvi de meu Pai vos tenho feito conhecer”.
Interessante como ao longo de nossa vida muitos amigos surgem e se afastam pelos mais diversos motivos, mas marcam a nossa vida de maneira a fazer surgir, de repente, a saudade (palavra que segundo consta, só existe no nosso inigualável idioma português) e nos leva a escrever saudosa mensagem como esta.
Lembro especialmente de uma pessoa já falecida que não chegou a ser exatamente meu amigo, porque era presidente da empresa onde trabalhei. Certa ocasião ele recebeu um convite, para um almoço, de um diretor do banco do qual a empresa era cliente. Ele convidou a mim e mais dois gerentes para acompanha-lo.
O restaurante era especializado em peixes e frutos do mar. Ocorre que eu estava fazendo um curto regime vegetariano, por recomendação médica, e expliquei a ele, em baixa voz e meio envergonhado, a minha situação. Ele me olhou e disse que o macarrão de lá era muito bom e que me acompanharia. Tive certeza que se tratava de um gesto de gentileza para mim, assumindo comigo uma situação de “gafe”.
Um gesto de uma pessoa que se declarava “ateu graças a Deus”. Quantas vezes ouvirmos pessoas importantes, gerentes, diretores de empresas, autoridades (principalmente candidatos) que falam “graças a Deus” mas incapazes de atitudes coerentes com o que falam?
Quando Jesus disse: “Ninguém tem maior amor do que aquele dá a vida pelos seus amigos” estaria ele referindo-se apenas à vida física? Quantas vezes temos a oportunidade de um gesto de generosidade para o nosso próximo e simplesmente desdenhamos?
Conhecemos pessoas que tiveram a oportunidade de “dar a vida” por um amigo ou mesmo desconhecido e acabaram por criar vínculos de amizade que não se desfarão jamais? Se passarmos a prestar atenção no nosso dia-a-dia, veremos que o Senhor constantemente nos concede essas oportunidades em casa, no nosso ambiente de trabalho, no trânsito, nos momentos de lazer. E como agimos?