CNBB recebe representantes de 18 países para encontro sobre cultura do cuidado
A Casa Dom Luciano Mendes de Almeida, em Brasília (DF), recebeu, no dia 31 de agosto, a abertura do IV Encontro da Rede Latino-Americana e Caribenha para a Cultura do Cuidado. O evento prosseguiu até 3 de setembro, reunindo 102 participantes de 18 países.
Participaram responsáveis pela prevenção de abusos ligados às Conferências Episcopais, congregações religiosas e à Cáritas América Latina e Caribe. O Brasil esteve representado por uma delegação de 41 pessoas indicadas pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e pela Conferência dos Religiosos do Brasil (CRB).
A presença brasileira foi ampliada nesta edição para favorecer a participação das diferentes regiões do país e fortalecer a articulação das iniciativas de prevenção e promoção da cultura do cuidado.
O encontro teve como tema “A cultura do cuidado na Igreja da América Latina e do Caribe: uma perspectiva a partir da Magnifica Humanitas”. Além da prevenção dos abusos sexuais, as reflexões abordaram os abusos de poder e de consciência, assim como as vulnerabilidades que surgem ou se intensificam nas redes sociais e nos ambientes digitais.
Cultura do cuidado exige trabalho conjunto
A abertura foi conduzida pela irmã Neusa Santos, assessora de Comunicação da CRB, e pelo padre Fabiano Schwanck Colares, da Arquidiocese de Porto Alegre e membro da Comissão Especial para a Tutela de Menores e Adultos Vulneráveis da CNBB.
Também participaram da mesa de abertura o secretário-geral da CNBB, dom Ricardo Hoepers, e o bispo de Cristalândia (TO) e presidente da Comissão Especial para a Tutela de Menores e Adultos Vulneráveis, dom Wellington de Queiroz Vieira.
Ao acolher os participantes, dom Ricardo destacou que a construção de ambientes seguros e a proteção das pessoas vulneráveis dependem de uma atuação conjunta entre as diferentes instituições e instâncias eclesiais.
“A cultura do cuidado só pode ser construída juntos. Nenhuma Conferência Episcopal, nenhuma diocese, nenhuma congregação religiosa, nenhuma instituição pode enfrentar isoladamente o desafio da prevenção e da proteção das pessoas mais vulneráveis”, afirmou.
Segundo o secretário-geral da CNBB, é necessário fortalecer uma rede marcada pela escuta, aprendizagem, corresponsabilidade e conversão. As atividades proporcionaram o aprofundamento de questões relacionadas à prevenção, acolhida, atenção, reparação e às novas situações de vulnerabilidade.
Dignidade humana deve ocupar o centro
Ao relacionar as discussões do encontro com a Magnifica Humanitas, dom Ricardo ressaltou que a dignidade humana deve permanecer no centro de todo o trabalho de prevenção e proteção.
“Antes dos protocolos, estão as pessoas. Antes das estruturas, estão as pessoas. Antes das nossas instituições, estão as pessoas”, declarou.
Para o bispo, cada pessoa possui uma história e uma dignidade que precisam ser respeitadas. Muitas carregam feridas que necessitam ser ouvidas e acolhidas com atenção, responsabilidade e sensibilidade.
Dom Ricardo explicou que a cultura do cuidado não deve ser considerada apenas uma obrigação institucional, mas parte integrante da missão evangelizadora da Igreja. O objetivo é construir comunidades nas quais crianças, adolescentes e pessoas vulneráveis possam sentir-se verdadeiramente seguras, respeitadas e amadas.
O secretário-geral também defendeu uma Igreja capaz de escutar com humildade, reconhecer e aprender com os próprios erros, reparar os danos quando necessário e adotar medidas para impedir que os abusos se repitam.
Responsabilidade de toda a Igreja
Dom Wellington destacou a expressiva participação brasileira no encontro. Segundo ele, a ampliação da delegação levou em consideração a dimensão territorial do país e a organização da CNBB em 19 regionais.
O bispo ressaltou que a prevenção não pode ficar restrita às comissões especializadas ou a determinados grupos. O cuidado e a proteção das pessoas vulneráveis devem ser assumidos como responsabilidade de toda a comunidade eclesial.
“Nosso desafio em implementar essa cultura do cuidado é fazer com que o tema do cuidado seja um tema de todos, do interesse de todos”, afirmou.
A programação contou ainda com a celebração do Ofício Divino das Comunidades e com a acolhida das delegações realizada por frei João Ferreira Junior, da Confederação Latino-Americana de Religiosos (CLAR).
Conferências, reflexões e momentos de partilha permitiram a troca de experiências e o fortalecimento de projetos voltados à cultura do cuidado na Igreja latino-americana e caribenha. Entre as atividades esteve prevista a participação do presidente da CNBB e do Conselho Episcopal Latino-Americano e Caribenho (Celam), cardeal Jaime Spengler.




