16º Domingo do  Tempo Comum
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Diác. Paulo Halter
Paróquia Nossa Senhora da Candelária

“ O Reino dos Céus é como uma semente de mostarda que um homem pega e semeia no seu campo.”

Evangelho (Mt 13,24-43)

A liturgia deste domingo convida-nos a descobrir o Deus paciente e cheio de misericórdia, a quem não interessa a marginalização do pecador, mas a sua integração na comunidade do Reino. Contrariando nossa impaciência e intolerância, Deus aguarda que, talvez, o injusto se converta.
Sobre este tema, Jesus nos apresenta uma de suas mais eloquentes parábolas: a parábola do trigo e do joio. Quando, em um campo, se encontra joio no meio do trigo, é muito imprudente separar o joio apressadamente, pois isso poderia arrancar também o trigo. Os empregados, preocupados com a situação, vão até o patrão sugerir a retirada do joio. Tudo parece normal; o que é anormal é a reação do senhor diante do problema. Ele dá ordens para que deixem crescer trigo e joio lado a lado e que somente no tempo da colheita seja feita a separação entre o que será queimado e o que será guardado nos celeiros.
A parábola deve ser entendida no contexto do ministério de Jesus. Ele conviveu com os pecadores, com os marginalizados e com aqueles que levavam vidas moralmente condenáveis. Sentou-se à mesa com pessoas desclassificadas, deixou-se tocar por pecadoras públicas e convidou um publicano para integrar o seu grupo de discípulos. O que Jesus quer dizer com esta parábola é que devemos ter paciência. Deus é tão grande que, em seu Reino, há espaço até para a paciência com os incrédulos e os injustos. É Ele quem julga.
A parábola nos mostra também que a sociedade é um campo de semeaduras diferentes e contrastantes. O semeador cumpre o dever de semear a boa semente, o trigo (a justiça, o justo, o amor, a paz…). Contudo, no meio do terreno cresce também o joio, a semente ruim, de má qualidade (a injustiça, o injusto, o ódio, o orgulho, o pecado…), que o inimigo também semeia. O inimigo são pessoas e estruturas injustas que crescem juntamente com a semente do Reino.
Com esta parábola, Jesus pretende dar-nos uma lição sobre a lógica de Deus. Mostra-nos que a lógica de Deus não é de destruição, de segregação ou de exclusão, mas uma lógica de amor, de misericórdia e de tolerância. O Deus de Jesus Cristo é um Deus paciente e misericordioso, lento para a ira e rico em misericórdia, que oferece sempre ao ser humano todas as oportunidades para refazer a sua existência e integrar-se plenamente na comunidade do Reino. Ele tem um plano de salvação e de graça que oferece gratuitamente a todos os homens, bons e maus; depois, no tempo oportuno, ver-se-á quem são os maus e quem são os bons. O Senhor da parábola é esse Deus paciente, que concede ao homem todas as oportunidades, que não quer a morte do pecador, mas que ele se converta e viva.
No Evangelho deste domingo, temos duas parábolas. Elas se referem ao incrível crescimento do Reino de Deus. O Reino anunciado por Jesus compara-se ao grão de mostarda e ao fermento: parece algo insignificante, com inícios muito modestos e humildes, mas contém potencialidades para encher o mundo, transformá-lo e renová-lo. Jesus garante-nos que o Reino é uma realidade irreversível, que veio para permanecer e transformar o mundo.

Deus abençoe a todos!