Influência da música

A primeira série de seus artigos publicada por Tristão Mariano da Costa n’A Federação foi entre 20 de janeiro e 10 de fevereiro de 1907, assunto de seu grande interesse: Influência da Música. Discutia o papel da arte na vida, no caráter e formação das pessoas e até certo aspecto psicológico. Apresentava como determinados efeitos sonoros podem impactar moralmente o ouvinte em seu ambiente. Não escapou-lhe o apostolado religioso. O quarto e quinto artigos são dedicados à história da música em Itu, aspecto interessante da sua pesquisa, com dados biográficos e da obra do Padre Jesuíno do Monte Carmelo (1764 – 1819) e a tradição musical que fundou em Itu com a sua família. Preocupa-se com algumas composições e oferece caminhos ao pesquisador de hoje, para tentar identificar músicas desse velho mestre, talvez perdidas em arquivos. Vejamos dois trechos de suas matérias:
“A novena de N. S. do Patrocínio, a missa cantada e as matinas do SS Sacramento eram músicas arrebatadoras, principalmente o “Sancta Maria Succurre Miseris!” Seriam hoje mui apreciadas essas músicas se um descuido inqualificável não fosse causa de desaparecimento conforme diz o sr. Joaquim Leme em suas “Notas Históricas”.
O P. Jesuíno tinha aula de música em Itu, donde saíram muitos bons músicos, solistas e organistas. Dentre eles destacamos o P. João Paulo Xavier, que fazia gosto ouvir-se no acompanhamento das matinas da Semana Santa, e que também foi professor de piano de várias moças das principais famílias de nossa terra. (…) Também conservamos em nosso repertório o canto da Verônica – “O Vos Omnes” – e o “Regina coeli laetare” das quais, uma canta-se na procissão de Passos e outra na procissão de Domingo de Páscoa no encontro dessa madrugada de Maria com seu Filho ressuscitado. São músicas tão belas e tão superiores, que nenhum maestro ituano ainda atreveu-se a escrever outras, que pudessem rivalizar com estas composições do P. Jesuíno.”
Esse material serviu para a construção da memória do Padre Jesuíno ao pesquisador Mário de Andrade, que escreveu a biografia dele em 1945.
Nesta mesma série, Tristão discorre sobre a produção musical em Itu no tempo da sua juventude, tempo em que foi Mestre de Capela e o papel de seus familiares como compositores. Esse tema ele tratou novamente em três artigos publicados entre 21 de abril e 12 de maio daquele ano, “O artista e o ideal”, analisando a presença de Elias Álvares Lobo e José Mariano da Costa Lobo, seu sobrinho. Inicia a matéria afirmando: “O verdadeiro artista faz passar em nós os seus sentimentos, as suas ideias, as suas emoções, os seus entusiasmos, eleva-nos nas asas do seu gênio às alturas sublimes do seu ideal, comove-nos com tal sedução, que ficamos subjugados.”
Essas matérias, sobre estética musical, ele costumava relacionar com questões espirituais e religiosas, considerando que a missão do músico enquanto civilizador da cultura é parte da construção da espiritualidade de uma sociedade.
Quem seriam os seus leitores? Terá atingido os objetivos?
Luís Roberto de Francisco
Biblioteca Histórica
do Bom Jesus
