Um homem em luta pela fé em Itu

Desde as últimas décadas do século XIX, a cidade de Itu era palco de disputas por espaço de influência sobre a sociedade. Se de um lado a Igreja se estabeleceu como instituição forte, marcada pela ação dos missionários jesuítas, mestres na interferência sobre as consciências, buscando estreitar o caminho entre a sociedade e os dogmas, um grupo de homens, também formados na Europa, buscava abrir espaço a uma sociedade espiritualizada a partir de valores universais e princípios éticos e morais que ganharam força com as revoluções que aconteceram na França durante aquele século.
Em Itu, esse grupo de jovens moços da elite econômica havia aderido ao movimento republicano, criando um clube para reunir adeptos e agir em prol da sociedade. Duas ou três ações marcaram os primeiros tempos: a fundação do jornal O Ytuano, a criação de uma escola noturna para alfabetização de quem não tivera oportunidade de estudar e a abertura de espaço para a reunião de outros clubes republicanos, a famosa Convenção de Itu, de 1873. Se desse lado estavam jovens advogados, engenheiros, médicos ou, simplesmente, cafeicultores – e não eram muitos – adeptos do Iluminismo e do Liberalismo político, do outro estavam jesuítas italianos, formados em Teologia Moral no Colégio Romano, estabelecidos em Itu, desde 1865, educando jovens pelo pensamento conservador católico, buscando formar elites que mantivessem uma conduta pessoal sob valores do Cristianismo e que conduzissem a política e os destinos da sociedade baseando-se na doutrina católica. Tristão Mariano da Costa esteve entre esses dois grupos, inicialmente educado pelo Liberalismo, com o passar do tempo, aderindo ao pensamento ultramontano dos jesuítas.
Os liberais se expressavam através de jornais. Além do já citado, em 1876 nasceu Imprensa Ytuana. Depois vieram A Cidade de Ytu e República que transpuseram o século trazendo notícias, artigos claramente distantes dos princípios do Catolicismo, orientados por livres pensadores, alguns anticlericais, e muita disputa no campo da política local.
Em reunião realizada a 23 de abril de 1905, domingo de Páscoa, na Igreja Matriz, sob a direção do pároco, Padre Elisiário de Camargo Barros, na presença dos jesuítas Padres Justino Lombardi e Bartolomeu Taddei e dos franceses Padres Masset e Ferroud, estiveram representantes das diversas associações católicas da cidade. O principal propósito era organizar uma liga pela imprensa católica, fundada por leigos, dentre eles Tristão Mariano.
Ele já havia se manifestado, em janeiro de 1904, em artigo no jornal A Cidade de Itu, cumprimentando o Padre Taddei, pelo trabalho missionário, e foi criticado pelos anticlericais. Aderiu ao grupo dos leigos católicos que organizaram uma federação de associações católicas para fundar um semanário e divulgar artigos e notícias sobre o Catolicismo, chamado A Federação. O primeiro número saiu em 03 de maio e continua atuante.
Tristão Mariano acompanhou o grupo engajado nos ideais católicos. É um dos fundadores do jornal que passou a noticiar amplamente as suas atividades como músico no cotidiano da Igreja, muito próximo dos organizadores do semanário.
Luís Roberto de Francisco
Biblioteca Histórica
do Bom Jesus




