O professor Tristão Mariano

Já escrevi que ainda não sei da formação de Tristão Mariano da Costa para o magistério, mas é certo que ele atuou e se notabilizou nessa área.
Com a aposentadoria de seu irmão, Joaquim Mariano da Costa, Tristão abriu a própria escola, em regime de externato, meio período, funcionando em sua casa, como era próprio daquele tempo.
O Externato Tristão Mariano era uma escola dedicada à alfabetização e ao ensino de conhecimentos gerais. Propunha-se também a preparar os pequenos para ingressarem no Colégio São Luís ou no Colégio Nossa Senhora do Patrocínio, afinal era escola mista. Havia uma sala menor, para alunos iniciantes e outra maior, para os mais adiantados, como lembra Francisco Nardy Filho, antigo aluno dessa escola, que assim revela o ambiente em que estudou: “‘Seu Tristão’ não usava palmatória, porém trazia sempre na mão uma régua quadrada, dessas que têm filetes metálicos nas quinas, a qual lhe servia tanto para ponteiro… como para corrigir algum aluno que saísse da linha… com ele a gente, por bem ou por mal, havia de aprender”. O ensino pela coerção era reprovado pelos republicanos mas praticado pelos colégios, inclusive no São Luís, uma contradição para o vereador republicano.
Em seu currículo, além das disciplinas comuns de Língua Portuguesa, Aritmética, Geografia, História do Brasil, Desenho e Caligrafia, o externato contava com uma disciplina para a vida prática burguesa, Escrituração Mercantil. Ensinava Francês, Catecismo e Música. Em 1888 contava 54 alunos, geralmente filhos das famílias do contexto urbano, do comércio e profissionais liberais.
Para os exames anuais, convidava autoridades, realizando uma festividade que encerrava-se com concerto e lanche.
O Externato Tristão Mariano funcionou em Itu até a morte do professor, mas já estava sob a direção de sua filha Clara Augusta da Costa, à rua São Francisco, nº 11. O Museu Republicano guarda belíssima foto dos professores e alunos reunidos na porta da escola.
Em 1876 foi aberto em Itu o Instituto do Novo Mundo. Além de uma biblioteca bem aparelhada, o seu criador, Dr. José Carlos Rodrigues, vivendo nos Estados Unidos, propôs aos liberais ituanos a manutenção dessa escola, que contou com recursos de gente como o Barão de Piracicaba. Era uma associação mantenedora. Contava também com aulas noturnas para filhos de modestos operários estrangeiros ou para alfabetização de trabalhadores. Em 1888, Tristão Mariano assumiu as aulas da escola noturna e a manutenção da biblioteca, lidando com um público diferente do que estava acostumado em seu externato ou no Colégio São Luís. Esteve à frente das aulas até 1895, dividindo o tempo com o ensino em seu externato.
Além de uma profissão, para republicanos como Tristão Mariano, a educação era um meio para colocar em prática os seus ideais de cidadania, oportunizar a formação de pessoas, da elite culta, que dirigisse os negócios do “novo” país, que nascia com o regime republicano, e dar instrução mínima às classes menos favorecidas, permitindo que assim nascesse o “povo brasileiro”.




