2º Domingo da Páscoa

Diác. Francisco Carlos Moraes
Paróquia Nossa Senhora da Candelária
“Bem-aventurados os que creram sem terem visto!”
Evangelho (Jo 20,19-31)
No primeiro dia da semana, os discípulos estão reunidos, ainda com medo das autoridades judaicas e romanas. O Senhor ressuscitado se coloca no meio deles. Quem não está na comunidade não vê o Senhor. Oito dias depois, novamente Jesus põe-se no meio deles, e Tomé faz a sua grande profissão de fé. O Senhor apresenta-se com os sinais gloriosos da Paixão, sopra sobre eles e lhes transmite o Espírito.
Celebrar neste Dia do Senhor nos possibilita fazer uma experiência profunda do Senhor ressuscitado, que se coloca no meio de nós e nos presenteia com os dons pascais.
Quando ouvimos esta narração, nós recordamos espontaneamente as origens da Igreja, e aflora em nós um sentimento de ternura e de saudade, como quando rememoramos a infância distante e feliz. Mas tudo isso não é realidade do passado. É realidade do presente. Aquela assembleia de discípulos, oito dias depois da Páscoa, na qual se tornou presente o Ressuscitado, deu a paz aos seus e confirmou-lhes sua ressurreição, nunca cessou nestes vinte e um séculos da vida da Igreja. Ela continua na assembleia dominical que nós estamos celebrando e que a Igreja celebra em toda a terra, no dia do aniversário da Ressurreição.
Cada domingo é aquele “oitavo dia da Páscoa” em que os discípulos estavam reunidos em casa.
Também nós estamos aqui reunidos, “no primeiro dia depois do sábado”, para ouvir os ensinamentos dos apóstolos; estamos reunidos na fração do pão e na oração comum. Também nós ouvimos a saudação do Ressuscitado, que diz: “A paz esteja convosco”.
Não o veremos em pessoa, não colocaremos o dedo em seu peito como fez Tomé; ele se fará presente por sua Palavra e seu sacramento. Mas ele mesmo disse que crer nele assim, sem vê-lo materialmente, é melhor para nós.
A presença de Cristo na comunidade celebrante tem, com efeito, a primazia. Não é porque a comunidade celebrante está órfã de Cristo que celebra a Eucaristia, como que para tornar Cristo presente à sua adoração. É antes porque Cristo já está presente, pela fé e pelo amor, que é capaz de torná-lo igualmente presente sob os sinais do pão e do vinho eucarísticos e celebrar a refeição da aliança.
Do mesmo modo, não é porque a comunidade está órfã de Cristo que celebra a Palavra para torná-lo presente sob o sinal das palavras inspiradas. É antes para que Ele permaneça com sua Igreja até o fim dos tempos que pode abrir seu coração ao Evangelho que Ele lhe dirige.
Então, “neste dia que o Senhor fez para nós”, experimentamos sua presença viva na assembleia reunida, na Palavra repartida e no mistério de sua entrega na Eucaristia.
Assim, seremos um só corpo e um só espírito, enviados para espalhar no mundo a paz e a reconciliação que dele recebemos.
Sejamos dignos da Palavra do Senhor: “Bem-aventurados os que creram sem ter visto!”.
Deus abençoe a todos!




