1º Domingo da Quaresma
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Diác. Edson Moura
Capelania militar – Igreja São
Luís Gonzaga – Quartel de Itu

“Está escrito:‘Não só de pão vive o homem,mas de toda palavra que sai da boca de Deus.”

Evangelho (Mt 4,1-11)

Em nossa vida cotidiana, sempre é tempo de conversão. Como rezamos no salmo do 6º Domingo: “Feliz o homem sem pecado em seu caminho, que na Lei do Senhor Deus vai progredindo.” A conversão é um chamado permanente. No entanto, a Igreja, como mãe e mestra, nos concede um tempo especial na liturgia para vivermos com maior empenho e profundidade esse apelo: o santo tempo da Quaresma.
Durante quarenta dias, somos convidados a nos preparar para a Páscoa do Senhor. Todas as leituras bíblicas desse período nos conduzem ao coração da nossa fé: a vitória da vida sobre a morte, a ressurreição de Cristo.
Iniciamos esse caminho na Quarta-Feira de Cinzas, quando a liturgia nos recorda: “Tu és pó e ao pó voltarás.” Nesse dia, Jesus nos ensina, mais uma vez, a importância do jejum, da esmola e da oração — três pilares que sustentam nossa caminhada quaresmal.
No Evangelho deste primeiro Domingo da Quaresma, São Mateus nos diz que Jesus foi conduzido pelo Espírito ao deserto. Ali jejuou durante quarenta dias e quarenta noites; teve fome e foi tentado pelo diabo.
Para um judeu do primeiro século — e Mateus escreve seu Evangelho para judeus convertidos — o deserto evocava a história do povo de Israel. Libertado da escravidão do Egito, o povo caminhou quarenta anos pelo deserto antes de entrar na Terra Prometida, enfrentando provações e dificuldades. Jesus é o novo Israel. Ele também permanece no deserto durante quarenta dias e quarenta noites. Mas, diferentemente do antigo povo, vence as tentações pela obediência perfeita ao Pai.
Diante das tentações, pode surgir uma pergunta: Nosso Senhor é Deus; então, Ele poderia ser tentado? A resposta é sim. Jesus é verdadeiro Deus, mas também é verdadeiro homem. Assumiu plenamente a nossa condição humana, sujeitando-se às fragilidades próprias da nossa natureza — com uma diferença essencial: Ele jamais pecou.
Em cada tentação, contemplamos a fidelidade de Jesus ao projeto do Pai. Ele não apenas jejuou, mas permaneceu firme na oração, no diálogo constante com Deus. Ensina-nos, assim, que o jejum e a oração são forças indispensáveis para enfrentarmos as lutas da vida.
Jesus teve fome, mas não caiu na armadilha do tentador. Diante da proposta de transformar pedras em pão, respondeu: “Não só de pão vive o homem, mas de toda palavra que sai da boca de Deus.” Veio para libertar a humanidade da escravidão do pecado e da morte.
Foi também tentado a evitar a cruz. Em outras palavras, o tentador lhe propõe um caminho fácil: não é preciso ir ao Calvário, basta adorar-me. Mas Jesus responde com firmeza: “Adorarás o Senhor teu Deus e somente a Ele prestarás culto.”
Ainda foi desafiado a colocar Deus à prova, quando o inimigo, usando a própria Palavra de Deus, disse: “Se és Filho de Deus, lança-te daqui abaixo…” E Jesus respondeu: “Também está escrito: Não tentarás o Senhor teu Deus.”
Jesus não veio para provar quem Ele era por meio de espetáculos ou exibicionismos. Veio para salvar. Foi tentado ao orgulho, ao poder e à autossuficiência, mas permaneceu humilde e obediente. Esvaziou-se de si mesmo, sendo obediente até a morte — e morte de cruz.
Ele nos salvou pelo amor e pela obediência. E hoje nos ensina o mesmo caminho.
Que nesta Quaresma aprendamos com Cristo a vencer nossas tentações com a força da Palavra, do jejum e da oração. Que permaneçamos fiéis ao projeto de Deus, certos de que, ao final do deserto, nos espera a alegria da Ressurreição.

Amém.