2º Domingo do Tempo Comum
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Coluna organizada por Nilo Pereira, segundo a exegese do Pe. Fernando Armellini, scj

Leituras iniciais do Segundo Domingo do Tempo Comum

1ª Leitura (Isaias 49,3.5-6)
Neste trecho aparece mais uma vez a figura do “Servo do Senhor” e é apresentada a sua vocação. Como outros grandes personagens do Antigo e do Novo Testamentos: Jeremias (em Jer 1,5); o Batista (em Lucas 1,15); Paulo (em Gálatas 1,15), ele também é escolhido por Deus desde o seio materno e enviado para cumprir uma grande missão.
Os biblistas não sabem com exatidão quem ele seja. Todavia, o primeiro versículo da leitura de hoje parece que o identifica com a personificação, a imagem de todo povo de Israel.
Estamos na Babilônia há mais de cinco séculos antes de Cristo. O povo de Israel está prisioneiro numa terra estranha e todos os seus sonhos de sucesso e de vitória estão diluídos no nada. Quanto os exilados israelitas falam do seu passado glorioso (a libertação do Egito, os milagres feitos pelo próprio Deus, como a passagem do Mar Vermelho), os babilônios explodem em gargalhadas.
Nesta situação calamitosa Israel é escolhido para levar a luz e a salvação a todos os povos (ver.6)? É incrível! Contudo – diz o profeta – é justamente através dele que o Senhor manifestará a sua glória (ver.3)! É assim que age o Senhor Deus. Reparem que o Servo, de quem fala a leitura de hoje, é a imagem do verdadeiro Servo fiel do Senhor, Jesus de Nazaré. É Ele que vai trazer a salvação ao mundo através daquela que os homens vão considerar sua maior derrota: a morte na cruz.
As nossas comunidades são convocadas a assumir a “vocação” mencionada no início desta leitura e tornar presente hoje o Servo que traz luz e salvação aos povos.

2ª Leitura (1Coríntios 1,1-3)
A primeira carta aos Coríntios (Corinto atualmente na Península de Peloponeso – Grécia) foi escrita por Paulo para responder a uma série de problemas que tinham surgido naquela comunidade: divisões, imoralidades, confusões nas celebrações eucarísticas, invejas, falta de unidade, pouco esclarecimento na fé.
Em primeiro lugar Paulo se apresenta como apóstolo por vocação (novamente a palavra vocação). Antes de entrar no mérito dos problemas da comunidade (e o fará com palavras decididamente duras), ele sente a necessidade de justificar a própria autoridade. Ele se reporta ao chamamento pessoal que recebeu de Deus.
Reparemos que a carta de Paulo se destina à “Igreja de Deus que está em Corinto”. Igreja significa “pessoas convocadas ou chamadas por Deus”.
Os cristãos de Corinto são “santos convocados” (vers.2). O sentido da palavra “santo” não é o mesmo como o entendemos hoje. Santo significa “separado”, colocado de lado, reservado para Deus. Separados de que modo? Talvez não podiam mais encontrar-se com os pagãos? Absolutamente não! Isso seria impossível e contrário ao Evangelho. São separados porque conduzem uma vida completamente diferente dos costumes a que estavam acostumados antes de receberem a carta de Paulo (lembrar os problemas da comunidade no primeiro parágrafo). E as nossas comunidades? “Conduzem uma vida completamente diferente dos costumes anteriores”?