Ano Jubilar Franciscano convida fiéis a  seguirem o exemplo do Santo de Assis
Compartilhe

Com a evocação da frase latina “Hic michi viventi lectus fuit et morenti” — “aqui foi minha cama, tanto em vida quanto na morte” — teve início, no dia 10 de janeiro, em Assis, a última etapa do caminho jubilar franciscano. A celebração ocorreu na Basílica Papal de Santa Maria dos Anjos, na Porziuncola, e marcou a abertura oficial do VIII Centenário da morte de São Francisco de Assis, que será recordada nos dias 3 e 4 de outubro.
O itinerário jubilar franciscano vem sendo celebrado desde 2023, quando se comemoraram os 800 anos da aprovação da Regra e do Natal de Greccio. Em 2024, a Igreja recordou o dom dos Estigmas; em 2025, a composição do Cântico das Criaturas. Agora, a última etapa desse percurso espiritual concentra-se na memória do falecimento do “Pobrezinho de Assis”.
Entre os símbolos mais marcantes da celebração esteve o ícone de 1255 São Francisco entre dois anjos, excepcionalmente exposto na Porziuncola. A pintura traz o santo segurando um livro com a inscrição que recorda sua morte. A tábua de madeira, atribuída ao Mestre de São Francisco, teria acolhido o corpo do Poverello em vida e imediatamente após sua morte, tornando-se um sinal concreto do trânsito de Francisco para a eternidade.
A cerimônia teve início às 10 horas, com a saudação do frei Massimo Travascio, guardião da Basílica de Santa Maria dos Anjos. Em seguida, aconteceu a procissão solene, presidida por frei Francesco Piloni, ministro provincial dos Frades Menores da Úmbria e da Sardenha, acompanhado pelos ministros gerais das diversas expressões da família franciscana.
Participaram do rito frei Massimo Fusarelli (Frades Menores), frei Carlos Alberto Trovarelli (Frades Menores Conventuais), frei Roberto Genuin (Frades Menores Capuchinhos), Tibor Kauser (Ordem Franciscana Secular), frei Amando Trujillo Cano (Terceira Ordem Regular) e irmã Daisy Kalamparamban, presidente da Conferência Franciscana Internacional da Terceira Ordem Regular.
Um gesto de forte significado marcou a celebração: o arcebispo-bispo de Assis-Nocera Umbra-Gualdo Tadino e de Foligno, dom Domenico Sorrentino, e o prefeito de Assis, Valter Stoppini, dirigiram-se à Capela do Trânsito com uma vela apagada, posteriormente acesa na Vela Pascal, símbolo de Cristo ressuscitado. A chama foi levada às seis estações laterais da basílica, confiadas aos seis ramos da família franciscana.
A procissão recordou a reconciliação histórica entre o bispo Guido II e o podestà de Assis, Carsedonio, episódio cantado por São Francisco como profecia de paz. Para a ocasião, a Penitenciaria Apostólica concedeu indulgência plenária aos fiéis. O Papa Leão XIV enviou mensagem aos ministros gerais da Conferência da Família Franciscana, destacando que “a paz é a soma de todos os bens de Deus” e advertindo que seria ilusório construí-la apenas com forças humanas.
Na sequência, os ministros gerais conduziram reflexões nas seis estações da basílica, percorrendo simbolicamente os pontos centrais do Testamento de São Francisco. Misericórdia, oração, fraternidade, trabalho, paz e bênção foram os temas abordados, acompanhados por textos das Fontes Franciscanas e do Evangelho.
Frei Amando Trujillo Cano ressaltou que o caminho de conversão vivido por São Francisco continua a desafiar os cristãos a se aproximarem dos que carregam feridas físicas e espirituais. Frei Carlos Alberto Trovarelli destacou a centralidade da oração e da Igreja na experiência de fé do santo, enquanto a irmã Daisy Kalamparamban enfatizou a fraternidade universal como marca da espiritualidade franciscana.
Tibor Kauser refletiu sobre o valor do trabalho como dom e expressão de dignidade, e frei Roberto Genuin recordou que o Testamento de Francisco aponta o perdão e a misericórdia como caminhos para a construção da paz. Frei Massimo Fusarelli concluiu destacando a bênção final deixada pelo santo como herança espiritual.
Ao término da celebração, foi anunciada a instituição de um Ano Jubilar Franciscano especial, de 10 de janeiro de 2026 a 10 de janeiro de 2027. Durante esse período, os fiéis são convidados a seguir o exemplo de São Francisco, tornando-se testemunhas da paz. A indulgência plenária será concedida àqueles que participarem das celebrações ou realizarem peregrinações a igrejas e santuários franciscanos, inclusive aos que, impossibilitados de sair de casa, se unirem espiritualmente ao Jubileu.