Leitura inicial da Solenidade de Todos os Santos

Coluna organizada por Nilo Pereira, segundo a exegese do Pe. Fernando Armellini, scj
1ª Leitura (Apocalipse 7,2-4.9-14)
1.Quem são os Santos?
Consideremos como Paulo inicia algumas de suas cartas: “A todos os santos que se acham em Filipos” – “Aos santos de Éfeso” – “Aos irmãos em Cristo, santos e fieis de Colossos” – “A todos os que estão em Roma, queridos de Deus, chamados a serem santos”.
O apóstolo não escreve para pessoas que se encontram entre os anjos do céu, mas a pessoas concretas que vivem sobre esta terra: habitam em Filipos, em Éfeso, em Colossos, em Roma. Santo é todo o discípulo, quer esteja ele já com Cristo no céu, quer ainda viva na face da terra.
2. O céu sim. . . mas os dramas desta terra?
Quantas dores, quantas tribulações, quantas amarguras na vida do homem! Quando vemos tantos inocentes sofrendo, continuando vítimas de violências, de traições, de enganos, procuramos desesperadamente conhecer a razão e não a encontramos. Aos homens não resta senão chorar e resignar-se: não conseguirão jamais dar sentido aos dramas que os afligem?
3. Jesus revela o mistério
Um anjo vem do oriente, tendo na mão o selo do Deus vivo, e imprime um sinal inapagável sobre a fronte dos servos do Senhor. Cento e quarenta e quaro mil é um número simbólico, resultante de 12 x 12 x 1000 e indica a totalidade da comunidade cristã.
Não são privilegiados, não foram poupados das provações, das vicissitudes, das desventuras desta vida. Eles são, porém, colocados em uma nova condição: santa. Pertencem a Deus.
4. Nascidos para a vida definitiva
Uma multidão imensa, que ninguém pode contar, gente de todos os povos e nações, está em pé diante do trono do Cordeiro, revestidos de veste branca e têm palmas na mão. A veste branca é o símbolo da alegria e da inocência, as palmas são o sinal da vitória. São os que, neste mundo, doaram a sua vida pelos irmãos, como fez o Cordeiro. Os homens os consideram derrotados, mas para Deus são vencedores (vers.14).
Os versículos que vêm a seguir, que não fazem parte da nossa leitura, descrevem a condição desses eleitos: “Já não terão fome nem sede, nem o sol ou calor algum os abrasará, porque o Cordeiro será o seu pastor (vers.16-17).
5. O último êxodo
O trecho do Apocalipse nos abriu uma fresta no céu sobre o nosso destino último. Do céu filtra-se uma luz que esclarece os enigmas mais profundos que levamos no coração: de onde eu venho, para onde vou, que sentido tem a alegria e a dor, a vida e a morte? E depois da morte?
A visão do céu dá finalmente um sentido à nossa existência: não estamos caminhando neste mundo sem destino certo, não corremos sem meta de chegada, não nos movemos sem destino, não nos agitamos sem objetivo. À luz do céu compreendemos: a nossa vida não é uma sucessão de saídas e entradas, guiadas por um destino cego, mas pelo amor de um Pai.




