Dom José Gaspar, notas biográficas

2023 marca os oitenta anos do falecimento do dinâmico arcebispo de São Paulo, dom José Gaspar de Affonseca e Silva. Para lembrar a sua figura importante para a história da Igreja paulista, vamos registrar, em três artigos nos meses de julho, agosto e setembro, algumas notas sobre a sua trajetória, a sua relação com Itu e o impacto do seu curto arcebispado em que organizou o evento que reuniu a maior quantidade de pessoas da história do Brasil até então, o IV Congresso Eucarístico Nacional, marco do movimento que ele mesmo iniciou e dirigiu entre jovens e perdurou por décadas no Brasil, a Ação Católica.
José Gaspar de Affonseca e Silva nasceu em Araxá (MG) a 6 de janeiro de 1901, filho de Sebastião de Affonseca e Silva e Prosolina Porfírio de Affonseca. A família numerosa ofereceu a ele a oportunidade de continuar os estudos preliminares no maior educandário do Brasil de então, o Colégio São Luís em Itu. Foi aluno interno a partir de 1912. A formação cultural de forte caráter religioso acabou por despertar a vocação religiosa para o clero secular.
Em 1916, com quinze anos entrou para o Seminário Episcopal, instalado na Avenida Tiradentes, em São Paulo. A formação ali foi curta, somente a Filosofia. Ao notar o talento intelectual do moço de 17 anos, o arcebispo dom Duarte o enviou a Roma, para cursar a Teologia no Colégio Pio Latino Americano. Nesse tempo, ele alcançou os últimos anos de Bento XV, papa da paz, e viu ser eleito Pio XI que trouxe tecnologia e comunicação à Igreja que precisava rivalizar em influência com os tristes e nocivos movimentos políticos da ultradireita, que marcavam a primeira metade do século XX. Este mesmo papa o faria bispo. Concluídos os estudos, José Gaspar voltou a São Paulo, onde foi ordenado padre a 12 de agosto de 1923, portanto há cem anos.
Durante doze anos o padre José Gaspar exerceu seu ministério sacerdotal, parte em São Paulo, como vigário paroquial e professor no seminário, parte em Roma, onde fez o doutorado em Direito Canônico na Universidade Gregoriana.
Em 1934, retornando ao Brasil, tornou-se reitor do seminário em que estudara, continuando a lecionar. Concluiu as obras de construção do novo e moderno edifício, no bairro do Ipiranga, e o transferiu para lá. Por indicação de dom Duarte, foi eleito bispo auxiliar de São Paulo, cargo que exerceu por cinco anos. Foi sagrado a 28 de abril de 1935. Continuou ligado ao seminário mas passou a fazer as visitas pastorais, penosas viagens que o arcebispo, já idoso, deixara para ele.
Dom José escolheu como lema de seu episcopado a frase “ut omnes unum sint”: “para que todos sejam um”, notável indicação do que seria o seu trabalho voltado para a união das grandes massas, influenciando adultos e jovens através de movimentos que os congregassem, cercando-se de pessoas capazes e com perfil de liderança.
No próximo mês veremos o seu curto e operante arcebispado.




