Walkyr Mazolli
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Quando jovem, ex-aluno do Regente Feijó, Walkyr cantou o “Deus, salve a América” em uma solenidade da escola. A qualidade vocal chamou a atenção do mestre de canto orfeônico, Prof. Luizito. Assim, o moço de timbre especial foi estudar música; aos 22 anos mudou-se para São Paulo, para aperfeiçoamento da técnica com Elvira Crimi; era o típico tenor: gordinho e de pequena estatura. Aos finais de semana voltada a Itu, para visitar os pais e cantar com o Coro da Matriz nas soleníssimas missas das 10 horas do domingo, tempo em que se interpretavam obras de compositores italianos. Na regência, a sra. Margarida Brigatto. Meu pai era o organista e assim começou uma grande amizade e admiração pelo Walkyr.

Em São Paulo, ele participou do Coro da Orquestra da Rádio Gazeta e do Coral Lírico do Theatro Municipal, onde fez história. Além de solista, esteve na montagens de óperas e operetas inclusive excursionando pela Europa.

Em 1965, ao ser criado o Vozes de Itu, Walkyr trouxe ao grupo aquele vozeirão que sempre cultivou. Passei a conviver semanalmente com ele desde 1986, quando fui cantar com o grupo. Aprendi muito com a sua atuação: o uso de determinadas consoantes e vogais para o “ataque” em certo fraseado musical, os “pianos” e “fortes” e a “cobertura” em finalizações que davam uma sensação maravilhosa de “voz aveludada”. A interpretação solista do Agnus Dei de Bizet, da Ave Maria de Faurè ou no Panis Angelicus de Cesar Franck marcaram uma época de êxtase ao público que participava de eventos, casamentos e missas; realmente um timbre abençoado.

Por alguns anos Walkyr manteve uma associação de amigos do bel canto, em Itu. Pagávamos uma mensalidade para assistir a duas récitas anuais, no Círculo Italiano. Além dele, cantava o soprano Tereza Boschetti, era coisa de qualidade!

Na década de 1990, quando me tornei regente do Vozes de Itu, Walkyr voltou ao grupo e participou até que os problemas cardíacos o impediram de cantar. Diferente dos demais cantores, acostumados a tratar o regente de “maestro”, Walkyr me chamava de “Luisinho”! Fizemos uma dupla para cantar na missa do domingo na paróquia de São José por alguns anos.

Em uma quaresma, durante um concerto na igreja do Carmo, ele era o solista e se distraiu; o piano ofereceu a “deixa” por duas vezes; eu aguardando; o público, atento e sagaz, já esperava algum fracasso… quando veio do Walkyr aquela voz magnífica, agudo incomparável, que ainda ouço na minha memória musical.

Fica, como legado desse notável cantor, a gravação do Hino de Itu, ele acompanhado da pianista Maria José Carrasqueira, que ouvimos com prazer nos atos oficiais da cidade.

Walkyr Pedro Mazolli nasceu em Itu a 29 de junho de 1930 (por isso ganhou o nome do santo do dia) e faleceu no último 5 de novembro, aos 92 anos. Foi casado com Marisa Cogini, que já partiu há alguns anos. Deixou os filhos Giovana e Thiago, a nora Flaviane e a neta Luiza.

Gratidão e saudade!