Solenidade da Assunção da Bem-aventurada Virgem Maria

Diác. Raimundo Bezerra Neto
Paróquia São Judas Tadeu
“Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre!”
Evangelho (Lc 1,39-56)
Neste domingo, com muita alegria, vivenciamos a Solenidade da Assunção de Nossa Senhora, celebrada no último dia 15, mas transferida para hoje, a fim de que um maior número de fiéis devotos pudesse vivenciar esta graça.
Maria, preservada do pecado original, é Santíssima por obra de Deus para gerar o Salvador. É aquela que leva Jesus aos necessitados, o primeiro Sacrário vivo do Senhor.
Maria vai visitar Isabel diante de sua necessidade. Posso imaginar como Isabel poderia estar aflita, inquieta, com o coração perturbado em sua humanidade. Mas é belo ver que, quando Isabel ouve a saudação de Maria, fica cheia do Espírito Santo.
Podemos partilhar muitos aspectos: ser cheio do Espírito Santo é, de fato, experimentar a paz do Céu. É realmente vivenciar a presença de um Deus vivo e real, capaz de transformar toda tristeza em alegria e todas as dores em alívio.
Isabel, estando cheia do Espírito Santo, já não é ela quem fala, mas o próprio Espírito. Ou seja, quem proclama Maria como bendita é o próprio Espírito Santo pela boca de Isabel. Em outras palavras, uma das Pessoas da Trindade reconhece em Maria a santidade.
Portanto, quando o Papa Pio XII, em 1950, por meio da Constituição Apostólica Munificentissimus Deus, define que Nossa Senhora foi elevada ao Céu em corpo e alma, está, na verdade, confirmando o que o Espírito Santo já havia proclamado por meio de Isabel: “Bendita és tu entre as mulheres” (cf. Lc 1,42).
No encontro de Isabel e Maria, acontece também o encontro do Antigo e do Novo Testamento: “Quando Isabel ouviu a saudação de Maria, a criança pulou…” (cf. Lc 1,41). É um encontro que vai além de duas mulheres: é, na verdade, o encontro daquelas que carregam no ventre os Filhos que, mais tarde, mudariam a história da humanidade. É o encontro de Jesus, o Salvador, com o seu precursor, João Batista.
Maria canta as maravilhas de Deus, reconhece o Seu poder em sua vida e se faz discípula do Senhor. Sai de si mesma e vai ao encontro da necessidade de Isabel, não se limita às suas forças, mas se compadece de quem precisa.
Que, impulsionados por esta liturgia, possamos sair do nosso comodismo e ir ao encontro dos mais necessitados. Quantas “Isabeis” (na figura de muitos homens, mulheres e crianças) de hoje passam necessidade, e, muitas vezes, nós, “cheios” de Deus, não servimos aos outros. Que possamos ser mais fraternos e, exaltando Nossa Senhora, sejamos mais servidores, acolhedores e amáveis.
Em Maria, manifesta-se um Deus que ama e vai ao encontro dos pobres e sofredores, erguendo-os e derrubando os poderosos e soberbos. Claro que “poderosos” não significa apenas “ter”, mas principalmente “ser”. Muitos estão no poder (Legislativo, Executivo e Judiciário) e se fazem pobres com os pobres, indo ao encontro dos que tanto precisam de ajuda; no entanto, ainda há muitos soberbos.
Que Nossa Senhora nos ensine a ser humildes e a levar Jesus aos outros!
Deus abençoe
a todos!