As primeiras dificuldades do colégio (2)
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Numa tarde calma, mais seis jovens noviças aportam a Itu, trazendo da velha França o carinho de suas almas transbordantes de amor a Jesus, que desejam cada dia mais amado e conhecido.
Rememoremos os seus nomes, levando-os pelas ondas desta emissora aos lares felizes, depositários de sua atuação benfazeja em terras de Santa Cruz. São elas: Irmã Maria Antelmo, Irmã Henriqueta Curtelin, Irmã Maria Gertrudes Yvroud, Irmãs Luiza Sofia, Irmã Maria Emerenciana, e Madre Maria Basília.
Plêiade brilhante, dedicam suas vidas ao ensino da língua, das ciências, desenho, pintura, canto, música etc. Não se contentam, no entanto, em ser apenas as mestras das meninas ricas. Seus corações querem mais, desejam se consumir no amor ao próximo, e por isso, fazem dos doentes, dos pobres, dos escravos a porção eleita de seus desvelos maternais.
A pobreza da comunidade não as impede de repartir o pouco com os menos favorecidos. Recebem a quantos lhes batem à porta, sem receio de trabalhos e sem limites ao seu apostolado.
É que ao leme está, vigilante e ativa a intrépida Madre Teodora, a repetir-lhes constantemente: “Procuraremos tornar a vida suave aos que nos rodeiam.” Sim, tornar o fardo da existência suave aos que a rodeiam! Mas, gozará ela dessa suavidade, que tanto deseja para os outros?…
Não… À prodigalizadora dos benefícios e esperanças, Jesus reserva cruzes e humilhações. Não é ela a predileta de Seu coração divino?
Vejamos apenas um fato dentre os muitos que martirizaram sua vida. O Divino Mestre nos mostras que quer reinar inteiramente nessa alma e, cioso da joia rara que nela se oculta, procura assim purificá-la no cadinho da dor.
Dá-lhe a beber fel e vinagre quando permite que o Revmo. Padre Goud, capelão do Patrocínio, em missão especial na França, tenha sério desentendimento com a Madre Geral e, ao regressar, tome atitude de franca hostilidade contra a Congregação de São José.
Desconhecedora do que se passara além-mar, Madre Teodora choca-se com a decisão manifestada pelo Padre Goud de abandonar a capelania. Procura descobrir a causa de seu desinteresse pelos problemas do Patrocínio, o motivo que o leva a tão estranho procedimento, e como resposta, obtém a insinuação de que deveria fundar uma Congregação puramente brasileira. A distância entre Itu e Chambéry e a vantagem de nacionalizar tudo é o pretexto com o qual tenta seduzir a jovem superiora.
Perplexo, no entanto, o Padre Goud ouve: “Senhor Capelão, Vossa Revma. é livre e pode agir como achar melhor, sem que a consciência lho reprove. Isso não se dá comigo. Sou religiosa e fiz voto de obediência; não posso deixar de ser fiel à minha superiora e à Congregação que me recebeu.”
Ah! Se Madre Felicidade pudesse escutá-la nessa expansão de alma generosa e submissa!
Está escrito, porém, que Madre Teodora esgotará até o fim a taça da amargura… O demônio da intriga e da dúvida está a postos para ver se ganha a parada. Faz crer à Madre Geral que a filha querida, tão esperançosamente enviada para o Brasil, está de acordo com esse rompimento. Passa por revoltosa, orgulhosa, vaidosa…

30 de março de 1957