20º Domingo do Tempo Comum

Diác. Marcos Nunes
Paróquia São Judas Tadeu
“Vós pensais que eu vim trazer a paz sobre a terra?”
Evangelho (Lc 12,49-53)
As palavras de Jesus são marcadas de profundo realismo; seu reino criará novas divisões.
Quem o acolhe não entra em um estado de paz paradisíaca, mas experimenta primeiramente em si mesmo a guerra e a divisão. Não pode aceitar a ambigüidade do compromisso, não pode viver o bem e o mal, fazer um acordo entre o verdadeiro e o falso, não pode entregar-se totalmente às certezas humanas; deve abandonar continuamente a terra dos hábitos tranqüilos pela incerteza de uma terra que não possui.
É estranho que a fé em Cristo crie inimigo, ponha obstáculos. Isso é a realidade, porque o amor e a verdade têm na cruz o seu preço e o seu teste. Não há amor verdadeiro que não acarrete sofrimento, não há verdade que não fira. Se o amor é um dom gratuito não pode deixar de ser desapego de si mesmo. Se a verdade é descoberta não pode deixar de ser um juízo sobre as nossas ações, e uma luta por novos e mais incômodo horizontes.
O profeta é aquele que anuncia a verdade profunda dos fatos. Uma vez que a realidade dos fatos é a ação imprevisível de Deus, que move para a liberdade, suscita sempre no homem a duvida, o medo do risco, a oposição, pelos quais se manifestam o orgulho e o pecado. Da verdade nasce a incerteza, porque o homem prefere a segurança da prudência humana ao abandono à imprevisibilidade de Deus.
Jeremias anuncia o plano de Deus e é acusado de derrotismo. Isso é verdade também para quem corre no estádio a fim de conquistar uma vitória. O colocar-se como concorrente na linha de partida implica em competição, disputa, luta, em ter inimigo. Entre os espectadores há quem o aplauda e quem tudo faça para desencorajá-lo.
Deus os abençoe!