7º Domingo do Tempo Comum – Leituras iniciais
por Nilo Pereira
Sugerimos que antes de lerem estes comentários, façam as leituras na Bíblia
1ª Leitura (1Samuel 26,2.7-9.12-13.22-23)
Davi não era alguém que se deixasse enternecer diante dos inimigos ou que se esquecesse do mal que tivesse sido praticado contra ele; cometeu muitos crimes, manchou suas mãos com sangue, entretanto o episódio narrado na leitura de hoje nos revela que ele também alimentava sentimentos nobres e generosos.
O rei Saul está em perseguição de Davi e monta seu acampamento no deserto de Zif. Davi o localiza e decide se encontrar com ele. Abisai, seu sobrinho e valente guerreiro, o acompanha e propõe a sua solução, justa e santa segundo o modo de pensar dos homens: “Deixe-me cravá-lo por terra dum só golpe de lança” (vers.8). “Não o mates – respondeu Davi – porque ele é o ungido do Senhor”.
Estamos diante de duas maneiras de pensar: a primeira – a de Abisai – é ditada pela lógica humana, que propõe agredir, destruir quem praticou o mal. A segunda – de Davi – é o perdão incondicional. Os cristãos, que sempre apelam para os próprios direitos, que exigem por todos os meios “o que lhes cabe”, que justificam até a violência e a morte do inimigo se ele “é o primeiro a atacar”, em que situação se encontram?
Por que Saul foi poupado? Porque – diz Davi – não obstante seja culpado, continua sendo o “ungido do Senhor”. Pelo mesmo motivo, o pior dos bandidos não pode ser submetido a formas de tratamento degradantes e desumanas ou até mesmo à morte. “Deveria” ser amado e ajudado para poder se recuperar, porque é e sempre continuará sendo um “ungido de Senhor”, um filho de Deus.
2ª Leitura (1Coríntios 15,45-49)
O que sobrará de nós depois da morte: só a parte espiritual ou teremos também um corpo? E se o tivermos, será o mesmo que temos hoje? Paulo, no começo, pensa como os mestres com os quais tinha estudado e entende que, no fim do mundo, cada um recuperará o corpo que tinha (1Ts 4,14-17).
À luz da ressurreição de Cristo, Paulo entende melhor o sentido da visão cristã da vida eterna. Na carta aos cristãos de Corinto afirma que não é este corpo material que ressuscita, mas toda a nossa pessoa entrará na glória do céu, porém com um corpo completamente diferente daquele que temos neste mundo.
Paulo faz uma comparação: o caroço de manga que é enterrado. Parece que desapareceu, mas ao chegarem as primeiras chuvas, reaparece e não é mais um caroço mas um arbusto que cresce, se transforma em árvore e produz frutos saborosos. Olhando para a mangueira, quem reconheceria nela o caroço?
A leitura nos convida a refletir sobre o maior dos enigmas do homem: a morte. Se este é o momento no qual se passa deste mundo para o de Deus, se marca o início de uma nova vida, não deve ser considerado como uma infelicidade, mas como o momento mais bonito da vida.
Veja também: