Pe. Carlo Vitali
Compartilhe

A vida missionária pode também ser vista como uma aventura, afinal, ao observar a trajetória dos jesuítas que deixavam a sua vida familiar na Itália e outros países europeus, cruzando o Atlântico em penosa viagem de segunda ou terceira classe, para fazerem-se espiritualmente úteis em um país de poucos recursos de conforto, parece não haver “segurança” a esses moços abnegados. Para eles, porém, a Providência, planejara um seguro lugar para atuarem, fossem como professores ou nas missões populares.
Muitos jovens jesuítas eram de pouca saúde, vida marcada por sacrifícios pessoais em nome da fé. O noviciado, a primeira parte da formação religiosa na Companhia de Jesus, incluía trabalho em hospitais além de jejuns como parte das mortificações pessoais.
Carlo Vitali viveu apenas trinta e oito anos. Quando chegou a Itu, em 1897, contava três décadas, já estava ordenado sacerdote, mas adoentado e somente com um pulmão. A tuberculose era comum entre jovens. Marcada na literatura como “mal do século XIX”, geralmente tomava os escritores que tinham vida desregrada; mas aqueles que se prontificavam a cuidar dos outros também acabaram infectados.
Vitali nasceu na região de Veneza a 9 de fevereiro de 1867. Em 24 de junho de 1891 entrou para a Companhia de Jesus, já com 24 anos. A gravidade de sua enfermidade apressou a formação religiosa; foi ordenado padre após o segundo dos quatro anos do curso de teologia e logo mandado às missões, o que era um seu desejo pessoal.
No Colégio São Luís de Itu, a princípio, Vitali foi prefeito da igreja recentemente inaugurada, dedicada a São Luís Gonzaga. A vasta construção, maior templo da cidade, capaz de abrigar os seiscentos alunos internos, tinha um ritmo de trabalho intenso, afinal eram catorze sacerdotes celebrando a missa, àquele tempo individual (não havia concelebração) e somente pela manhã. Os alunos tinham diversos momentos de orações coletivas, além das novenas, tríduos e dias santos na parte da tarde, exigindo organização. Vitali também era um dos confessores dos alunos.
A partir de 1900 Vitali também se tornou ajudante do padre responsável pela enorme biblioteca do colégio, com milhares de volumes, como se vê na imagem que ilustra a matéria. Essas atividades eram divididas com tratamentos de saúde. Em 1901 passou meses em Itaici, na fazenda Taipas, de recreio do colégio, descansando e buscando melhores ares para seu tratamento. Em 1902 fez a sua última formação espiritual, a terceira provação, em privado, renovando a espiritualidade jesuíta.
Os contemporâneos louvavam o seu bom humor, mesmo diante da precária saúde. Quando perguntado se estava bem, sobretudo quando notavam a sua ótima aparência, ele respondia: “A cera é boa, mas é que lhe falta o pavio”
Suportou com coragem e fé os últimos meses que foram difíceis até que a 15 de junho de 1905 faleceu no colégio São Luís cercado dos companheiros de Ordem e alunos do colégio.