Prof. Luís Roberto de Francisco – Adeus ao Padre Durval

por Prof. Luís Roberto
de Francisco
Lembro-me quando o Padre Durval de Almeida se mudou para Itu, em 1988. Uma de suas irmãs faleceu e ele assumiu a chefia da família, sacrificando o apostolado de vinte anos junto à Paróquia de Nossa Senhora de Fátima, em Guarulhos, para ser vigário paroquial em sua terra. Veio colaborar com Mons. Camilo. Pouco contato nós tivemos nesse período. Eu o via às segundas-feiras, antes das seis horas da manhã, na rodoviária, a caminho de São Paulo para visitar familiares. A estada era curta, porque os sobrinhos trabalhavam. Mas ele não falhava: era caridade e ele queria se fazer presente.
Certa vez nos falamos, junto ao altar do Patrocínio. Prosa curta: ele sempre muito franco me chamou de orgulhoso; foi uma aproximação daquele jeito dele, como um esbarrão. Passamos a nos cumprimentar regularmente.
No ano 2000, logo após tornar-se Pároco da nossa matriz, procurei-o, em companhia do Engenheiro Jair de Oliveira. Queríamos alertá-lo para a fragilidade do templo, a infiltração de água na taipa e sobre o forro da capela mor. Mesmo não compreendendo completamente a grandeza daquela obra de arte, amava a Candelária, a igreja da sua infância. Tomou providência constituindo a Curadoria da matriz; ao corpo técnico juntou voluntários para levantar recursos. Assim surgiu a Festa Italiana. O restauro do teto foi um milagre! E ele esteve à frente de tudo, reuniões, contratempos e falta de recurso. Itu deve a este filho o primeiro movimento pelo restauro da nossa matriz, obra depois continuada com recursos do BNDES e da municipalidade.
Tivemos nossas diferenças, ele e eu, cada qual com sua idiossincrasia. Mas sempre admirei a sua franqueza, a tenacidade em ser guia espiritual do povo sob seus cuidados, uma relação próxima com a comunidade, sentado nos primeiros bancos da igreja, aguardando o povo para a missa. Certas observações, demasiado sinceras, aproximavam as pessoas, graças à sua integridade e boa fé. Se uma senhora chegasse à missa com roupa curta, perguntava se havia faltado pano para a confecção. Na semana seguinte a “vítima” repensava a vestimenta, mas continuava assistindo à mesma celebração e com o mesmo padre. Era o jeito dele se achegar. Pouco se importava com o “Monsenhor”. Queria ser “Padre!”
Deixou o paroquiato da Candelária à revelia; queria muito continuar; não percebeu que as forças já não eram as mesmas. Veio para o Bom Jesus; dizia que não era a casa dele. Mas foi aí que ofereceu o seu último esforço como sacerdote. Neste ambiente é que passei a admirá-lo cada vez mais. Percebeu que podíamos salvar os livros antigos e criamos a Biblioteca Histórica. Percebeu que havia muito a fazer pela música sacra e criamos a Schola Cantorum.
A última vez que ouvi a sua voz foi em um vídeo, recebido pelas redes sociais. O diálogo com uma cuidadora, em Louveira, mostrava-o debilitado, mas instintivamente apaixonado pela sua terra. Ela: “diga bom dia, Louveira!” Ele: “bom dia, Itu!”
É este Padre Durval que ficará para sempre na minha memória e com enorme gratidão!




