O 5º Dia Mundial dos Pobres

“Sempre tereis pobres entre vós” (Mc 14,7)
Caros leitores e leitoras: o Dia Mundial dos Pobres (DMP) foi instituído em toda a Igreja pelo Papa Francisco, em 2016, ao final do Jubileu da Misericórdia. A data é celebrada anualmente no penúltimo domingo do ano litúrgico, que neste ano de 2021 será em 14 de novembro, e terá como tema: “Sempre tereis pobres entre vós” (Mc 14,7).
A pedido do Papa Francisco, a Cáritas em todo o mundo ficou responsável por animar o DMP. Motivados pelo Santo Padre, homens e mulheres de boa vontade são incentivados a realizar ações de caridade em favor dos mais pobres. Ele mesmo viajará a Assis para se encontrar com 500 pobres de diferentes partes da Europa para ouvi-los e rezar com eles.
Em sua mensagem para esse dia, o Papa destacou que “com frequência, os pobres são considerados como pessoas à parte, como uma categoria que requer um serviço caritativo especial”. Porém, “seguir Jesus comporta uma mudança de mentalidade a esse propósito, ou seja, acolher o desafio da partilha e da coparticipação” (Mensagem para o 5º Dia Mundial dos Pobres).
No Brasil, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) confiou à Cáritas Brasileira a animação e a mobilização do Dia Mundial dos Pobres. Esta entidade, nesse período, já realizava a Semana da Solidariedade – para pensar e agir por um país justo, fraterno, igualitário, solidário e amoroso, por ocasião de seu aniversário de fundação, 12 de novembro de 1956. Deste modo, o DMP foi inserido nas atividades da Semana da Solidariedade, realizada pela Cáritas Brasileira e pelas Pastorais Sociais das nossas Dioceses, que neste ano adotou o tema: “Sentes compaixão?”. É um convite para vencermos a indiferença frente ao sofrimento das pessoas em situação de vulnerabilidade e à crescente pobreza socioeconômica que assola quase 52 milhões de brasileiros e brasileiras.
Na nossa Diocese de Jundiaí, várias ações serão desenvolvidas pelas associações e movimentos que cuidam dos pequenos do Senhor (almoços festivos; atividades de conscientização popular e catequéticas, entre outros). Neste ano, por exemplo, eu estarei na Paróquia Cristo Rei, em Salto, que a cada três meses realiza um trabalho de acolhimento dos moradores de rua (banho, corte de cabelo, muda de roupa, café da manhã e almoço), junto com a Comunidade Totus Tuus, em Itu, a Casa Belém, em Salto (atendimento com as crianças) e a Casa Madre Teresa, também em Salto.
Caros irmãos e irmãs, vivemos tempos estranhos, tempos de divisão. Porém, a unidade é uma dimensão essencial da Igreja e uma responsabilidade de todos. Além disso, o cuidado com o pobre é um dever de todo cristão, e a Igreja sempre tentou cumprir esse dever. Desde a era apostólica até os dias de hoje a Igreja olha para aquele que está à margem da sociedade, tanto que a Igreja Católica é a instituição que mais realiza obras de caridade no mundo. Só no Brasil, as Obras Sociais da Igreja chegam a quase 500 milhões de atendimentos a cerca de 39,2 milhões de pessoas e aproximadamente 11,8 milhões de famílias.
A prática e a vivência em Jesus apontam-nos a vivência profunda e autêntica da Lei do Amor, do seu Evangelho. O “Doutor Eucarístico”, São João Crisóstomo (c. 347-407) vê a mesa eucarística como o sinal mais importante da missão cristã: falar de Cristo e do pobre, sem separação e nem distinção: “Aquele que disse ‘Isto é o meu Corpo’, confirmando o fato com a sua Palavra, também afirmou: ‘vistes-me com fome e não me destes de comer’; e ainda: ‘quantas vezes o recusastes a um destes meus irmãos mais pequeninos, a mim o recusastes’. No templo o Corpo de Cristo não precisa de mantos, mas de vidas puras; mas na pessoa do pobre, ele precisa de todo o nosso cuidado” (Homilias sobre Mateus, n. 50, 3-4).
Conforme mencionado acima, diz o tema do DMP deste ano: “Sempre tereis pobres entre vós” (Mc 14,7), no entanto, estas palavras de Jesus não podem criar em nós um sentimento de indiferença e passividade diante dos pobres. Ao contrário, como nos exorta o Papa Francisco no final de sua Mensagem para esse dia: estas palavras de Jesus são para nós “um convite a não perder jamais de vista a oportunidade que se nos oferece para fazer o bem. Os pobres estão no meio de nós. Como seria evangélico, se pudéssemos dizer com toda a verdade: também nós somos pobres, porque só assim conseguiríamos realmente reconhecê-los e fazê-los tornar-se parte da nossa vida e instrumento de salvação”. Pois, os pobres, como ensinou São Lourenço, Diácono e Mártir, sempre foram e serão o tesouro da Igreja.
A todos abençoo.
Dom Vicente Costa
Bispo Diocesano de Jundiaí




