De Santos a Itu

Uma das questões importantes da vida é saber enfrentar os desafios da maturidade, o envelhecimento do corpo, a rotina de cuidados, a falta de energia e autonomia para tomar decisões e executá-las. O padre Taddei é um exemplo de como suportar alguns sofrimentos à luz da santidade e encarar cada momento difícil como desígnio de Deus, sempre confiando na misericórdia do Coração de Jesus.
Depois de três anos vivendo em Santos e administrando o belíssimo santuário dedicado ao Coração de Jesus que construiu naquela cidade, em 1909, o padre Bartolomeu Taddei voltou a viver em Itu, voltou à direção do Mensageiro do Coração de Jesus, voltou às suas muitas tarefas. A rotina de seu dia era estafante: atendia confissões logo cedo, celebrava a missa, atendia as pessoas dentro e fora do santuário, administrava a construção da igreja e pouco dormia. Esta foi uma marca da trajetória do padre Taddei, porque só à noite conseguia achar tempo para responder às inúmeras cartas vindas de bispos, párocos e diretores do Apostolado de todo o Brasil. Só se deitava depois da uma hora da manhã e às cinco já estava atendendo na igreja.
Três anos em Santos, agravada a idade pelo calor do litoral, que já não lhe fazia bem, Taddei veio cansado e indisposto.
A residência do Bom Jesus era muito movimentada. Além do atendimento na igreja, os padres eram dedicados ao serviço das associações católicas, a Congregação Mariana das moças, o Apostolado da Oração para senhoras e homens, em grupos separados, com estratégia e linguagem diferenciados, o catecismo para crianças e a comunhão reparadora aos jovenzinhos. Além disso os padres atendiam no Conventinho e na Santa Casa. Muitas vezes eram chamados para ajudar no atendimento de confissões no Colégio São Luís, com seiscentos alunos internos. Era necessário um batalhão de gente, mas eram somente quatro ou cinco.
Mesmo indisposto, o padre santo achou forças para subir ao púlpito, na sexta-feira santa, e pregar o longo Sermão das Sete Palavras. Como escreveu a uma zeladora do Apostolado da Oração de Santos: “que eu possa inflamar esta gente no amor de compaixão e de correspondência ao tanto que Jesus fez por nós todos.”
Aos 72 anos de vida não deixava de cumprir as tarefas de diretor do Apostolado da Oração, as “velhas batalhas” como chamava as viagens de visita aos centros paroquiais: pregações, reuniões com zeladores e padres. Quando a maioria dos homens de sua idade gozava a aposentadoria, o descanso merecido, como bom missionário, Taddei não parava. No segundo semestre de 1909, esteve em cidades próximas a Itu e no Vale do Paraíba paulista. As visitas, porém, o desgastaram. Acabou permanecendo dois meses enfermo em casa: já não era mais a mesma saúde.
Como um santo lida com os seus limites? Vamos ver no próximo artigo o que dizia o padre Taddei a esse respeito, que pode nos levar a pensar na maturidade da vida.
Luís Roberto de Francisco
Biblioteca Histórica “Padre Luiz D’Elboux”




