A acolhida às órfãs (2)
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O amor de Deus é o segredo de tanta caridade. Ela amava muito ao Senhor e por isso dá o pão do coração, dá o pão do espírito, dá-se a si mesma.
Madre Teodora não permite que se deixe de atender a nenhum pobre na portaria. Quantas vezes, o último pedaço de queijo, a última fruta, a última guloseima é dada, para que Aquele que alimenta as aves do céu, que não semeiam, nem ceifam, nem amontoam em celeiros nada deixasse faltar ao Patrocínio… “Dar esmola é uma graça que Deus não concede a toda a gente. Uma das maiores punições que Ele inflige a uma alma é tirar-lhe os meios de fazer o bem.” Máxima repetida constantemente pela grande apóstola, desejosa de inculcar em suas irmãs de hábito esse amor entranhado aos deserdados da sorte!
Fato prodigioso nos revela como o bom Deus recompensa regiamente a caridade de sua serva. Em 1867, grande carestia acarreta falta de feijão em Itu. Fácil é imaginar a preocupação da Irmã ecônoma, que vê quase esgotada a provisão desse alimento, pode-se dizer, indispensável à alimentação da turma. Madre Teodora não se abala com a notícia. Recomenda que se continue a dar uma boa porção aos que batessem à sua procura. Irmã São Paulo obedece, e apesar da fila enorme de pedintes e do grande número de pessoas da casa a sustentar, durante os quatro meses de crise, na dispensa nunca faltou feijão. Pelo contrário, cada vez que a Irmã vai tirar nova medida, encontra sempre a mesma quantidade dos preciosos grãos.
Paga merecida a tão cega confiança…
À caridade para com os pobres, junta Madre Teodora uma terna compaixão para com os sofredores. Desde o começo de sua missão no Brasil dedica-se a visitar, em companhia de outras Irmãs, os doentes pobres em suas próprias casas: ali dá-lhes remédio, assiste-os em suas necessidades e providencia para que não lhes faltem recursos médicos e religiosos. Faz tudo que pode para minorar a dor de seus semelhantes. Acha, porém, que tudo isto é pouco demais para o seu zelo. Gostaria de um campo maior para atender aos enfermos. Deus lhe proporciona essa alegria. Inspira aos dirigentes da futura Santa Casa de Itu a ideia de convidar as Irmãs de São José para dirigir o hospital. Grande alegria inunda o coração da Madre, que pode, assim, transmitir às suas filhas um pouco do tesouro que lhe transborda da alma – o fogo da caridade que as transformará em anjos da caridade à cabeceira dos leitos brancos.
Ao se despedirem do Patrocínio, levam o estímulo do exemplo e a bagagem do heroísmo sazonado da árvore gigantesca, vilhosa de tão insigne. Levam uma nova Madre Teodora… e mais uma página de ouro para o livro da vida.
04 de maio de 1957