Ninguém morre

Dia desses alguém me perguntou se meus pais ainda eram vivos. Respondi que, nesta terra, só tinha a minha mãe.
“Ah, que pena…” disse a pessoa. “Então perdeu seu pai?”. De forma bem-humorada (pelo menos no meu ponto de vista), respondi que não havia perdido ninguém: eu sabia muito bem o paradeiro do meu genitor.
Percebendo a brincadeira, o interlocutor emendou: “Ah, sim… Quis dizer que ele morreu”. Ao que respondi: “Para mim não morreu. Ninguém morre de verdade”. Acabamos rindo da minha chatice semântica, pois ambos sabíamos que a natureza da pergunta era saber se meus pais ainda caminhavam por este “nosso planetinha” Terra.
Fato é que as pessoas, de modo geral, perderam o senso de eternidade. Apenas algumas décadas atrás, a média de vida entre os humanos era bem mais baixa que a atual. Com 60 anos a pessoa já era considerada realmente idosa. Hoje, os 60 são o novo 40. A longevidade aumentou. O número de pessoas acima dos 85 ou 90 anos está maior.
A vida mais longeva, porém, não resultou num tempo maior para se pensar na eternidade. A maioria confunde as coisas. Pensar na eternidade não é pensar na morte. É pensar o que será de nós após esta vida. Ao nascermos, a única coisa de que temos certeza é de que, um dia, a nossa vida terá fim aqui neste mundo. Por que então não se reflete mais a esse respeito?
A tecnologia atual, os avanços na medicina (diagnósticos e tratamentos), o conforto e a qualidade de vida da atual geração, passam a impressão de que todos somos imortais. Vive-se o hoje como se não houvesse amanhã. Vive-se apenas para esta vida, sem pensar na próxima. Não é que as pessoas não pensem na morte e na eternidade. Elas simplesmente acham que ambas jamais chegarão para si mesmas.
Os cristãos não devem acreditar na morte. Ela é apenas um acontecimento, a cena final de uma primeira existência. São Francisco de Assis a chamava de “irmã Morte” e aguardava sua visita, uma vez que ela a levaria até a presença de Deus. Os cristãos, se crêem mesmo no que ensinou o Cristo, devem é acreditar na Vida, a eterna. Esta é a definitiva, a ser vivida através dos séculos.
Então concluímos que pensar na eternidade deveria ser algo do cotidiano dos que têm Fé. O Céu começa hoje, de acordo com as decisões que tomamos diuturnamente. Nosso lugar no Paraíso, prometido e preparado por Deus, estará ao nosso alcance se vivermos conforme os preceitos de Jesus. Ele nos ensinou tudo, tudo mesmo, que precisamos saber para chegar lá.
Não se trata, é bom frisar novamente, de ficar pensando na morte a todo instante. Seria algo angustiante, por óbvio. Mas é preciso preparar-se. Esta nossa irmã aparece de repente, sem aviso, para nos visitar. É necessário ter as malas prontas: a consciência limpa, os sentimentos pacificados, a alma na graça de Deus. O Pai nos criou para viver, não para morrer.
Amém.