15º Domingo do Tempo Comum

por Nilo Pereira
1ª Leitura (Deuteronômio 30,10-14)
Qual o caminho que nos conduz ao conhecimento da vontade de Deus? Os antigos procuravam descobri-la recorrendo aos astrólogos, consultando os sacerdotes, pedindo orientação aos que estudavam os livros sagrados.
E os homens de hoje o que fazem? Alguns continuam depositando a própria confiança nos adivinhos e nos horóscopos; outros nem sequer se preocupam em saber o que Deus quer e, em qualquer situação procuram simplesmente fazer o que lhes agrada.
Os cristãos têm um guia seguro: o Evangelho. Dedicam-se à sua leitura, meditam-na, rezam e nestes momentos de reflexão Deus lhes revela o seu projeto e a sua vontade.
O livro do Deuteronômio nos aponta outro caminho para descobrir a vontade de Deus, um método muito simples: escutar o próprio coração. Diz a leitura: o mandamento de Deus não está longe do homem (vers.11); não está oculto no céu (vers.12); não está além do mar (vers.13); está muito perto, na boca e no coração de cada um (vers.14). O que Deus quer de nós é a mesma coisa que o nosso coração solicita. A lei de Deus nasce da própria natureza humana.
Se o nosso coração fosse simples e puro, se não se deixasse cegar tão constantemente pelas paixões, faria sempre suas escolhas em conformidade com o mandamento do Senhor. Quantas vezes tomamos decisões erradas justamente porque confiamos demais nos nossos frios raciocínios e não damos ouvidos ao nosso coração!
2ª Leitura (Colossenses 1,15-20)
Paulo se encontra prisioneiro em Roma e, da Ásia Menor, chega a Roma para visitá-lo Epafras, o grande apóstolo que fundou, mantém e encoraja diversas comunidades daquela região. As notícias que traz são alarmantes: os cristãos se deixaram seduzir por estranhas doutrinas. Acreditam que os céus estejam sendo povoados por entidades, por espíritos que governam o universo; acreditam que sejam dotados de uma força misteriosa que pode influenciar a vida inteira das pessoas; estão apavorados e até acreditam que sejam superiores ao próprio Cristo.
Paulo escreve aos colossenses e lhes recomenda divulgar a sua carta também nas comunidades vizinhas (Col. 4,16). Começa entoando um hino a Cristo; na primeira parte (vers.15-17) celebra a primazia de Cristo sobre toda a criação. Na segunda parte (vers.18-20) proclama que Cristo é também o primeiro na nova criação porque ele foi o primeiro a vencer a morte e a abrir para todos, o caminho para Deus. Este submeteu ao poder de Cristo os Tronos, as Dominações, os Principados, as Potestades (assim eram denominados os misteriosos espíritos que lhes incutiam tanto pavor).
Os cristãos das nossas comunidades continuam tendo problemas semelhantes. Não venceram o medo dos maus espíritos. Há ainda muitos que acreditam em superstições, em tabus, em feitiços, em trabalhos e, por isso, recorrem a rituais mágicos. Serão essas crenças compatíveis com a fé na vitória e no domínio de Cristo sobre todas as coisas?